quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ética em pesquisa






Declaration of Helsinki Revised


Delegates from more than 45 national medical associations attended the annual General Assembly of the World Medical Association (WMA) in Fortaleza, Brazil from 16 to 19 October. Among the issues discussed, the Assembly adopted a revised Declaration of Helsinki .

WMA Declaration of Helsinki - Ethical Principles for Medical Research Involving Human Subjects



Adopted by the 18th WMA General Assembly, Helsinki, Finland, June 1964
and amended by the:
29th WMA General Assembly, Tokyo, Japan, October 1975
35th WMA General Assembly, Venice, Italy, October 1983
41st WMA General Assembly, Hong Kong, September 1989
48th WMA General Assembly, Somerset West, Republic of South Africa, October 1996
52nd WMA General Assembly, Edinburgh, Scotland, October 2000
53rd WMA General Assembly, Washington DC, USA, October 2002 (Note of Clarification added)
55th WMA General Assembly, Tokyo, Japan, October 2004 (Note of Clarification added)
59th WMA General Assembly, Seoul, Republic of Korea, October 2008
64th WMA General Assembly, Fortaleza, Brazil, October 2013


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Revalida 2013



  
Apenas 9,7% dos inscritos no Revalida 2013 são aprovados na primeira etapa
 
Do total de 1.595 médicos formados no exterior que fizeram o Revalida neste ano, apenas 155 (9,7%) seguirão para a segunda etapa da prova. Esse é o menor percentual já registrado nessa fase do exame. 

Em 2011, quando o Revalida foi oficializado, o percentual de aprovados na primeira fase foi de 14,2%. No ano seguinte, o índice foi de 12,5%. Composta por 110 questões objetivas e 5 discursivas, essa é a etapa que elimina a maior parte dos inscritos. 

O exame federal é utilizado hoje por 37 universidades públicas para a revalidação do diploma de medicina. 

Como mostrou reportagem da Folha, o Inep, órgão do Ministério da Educação responsável pelo exame, adiou por duas vezes a divulgação do resultado. Inicialmente previsto para 11 de setembro, a lista de aprovados foi adiada para 26 de setembro e, em seguida, para a data de hoje. O resultado foi divulgado pelo Inep apenas no fim da tarde desta segunda-feira (28). 



Integrantes do governo chegaram a associar o atraso à tramitação, no Congresso Nacional, da medida provisória que criou o Mais Médicos. Um resultado negativo no exame, avaliaram, poderia tumultuar o debate no Legislativo. 

Uma das principais polêmicas do programa federal, que visa aumentar a presença de médicos no interior e em periferias de capitais, é a permissão para que médicos formados no exterior atuem no Brasil sem revalidar o diploma. 

O Inep nega haver relação entre o adiamento da divulgação do resultado e o Mais Médicos. O instituto afirma que o motivo foi o volume de inscritos nesta edição: houve um aumento de 75,5% em comparação ao número de participantes no ano passado. 

SEGUNDA ETAPA
 
Os 155 médicos aprovados na primeira etapa passarão ainda por uma nova fase do exame. No final de novembro, eles farão prova prática em Brasília e só então o resultado final será divulgado. 

No ano passado, do total de 884 candidatos que fizeram o exame, só 8,7% puderam revalidar o diploma. Em 2011, o percentual foi de 9,6%. Diante das altas taxas de reprovação, o Inep chegou a anunciar um pré-teste para a participação de formandos de medicina matriculados em instituições nacionais.
O objetivo era avaliar o grau de dificuldade do Revalida e, eventualmente, calibrar o exame. 

A iniciativa, no entanto, não foi colocada em prática. Diante do número insuficiente de formandos inscritos o Inep não levou o pré-teste adiante. Apenas 505 estudantes confirmaram participação no pré-teste --a adesão era voluntária. O objetivo do instituto era ter um universo de cerca de 4.000 participantes. 

* Para consultar o resultado individual na 1ª etapa,clique aqui.

Formação pedagógica de preceptores de Residência


ABEM promove oficina do Projeto Preceptores




Nos dias 17 e 18 de outubro de 2013, em Recife, aconteceu a Oficina  de Construção do Campo Teórico Prático da Preceptoria na Residência Médica do Projeto "Desenvolvimento de Competência Pedagógica para a prática da Preceptoria na Residência Médica" da ABEM – Associação Brasileira de Educação Médica. 



O objetivo principal do projeto é conceber, planejar e realizar um programa de desenvolvimento de competência pedagógica para a prática da preceptoria na Residência Médica pautado pelos princípios do SUS e competências gerais das Diretrizes Curriculares Nacionais de Graduação em Medicina e direcionado preferencialmente  aos programas vinculados ao PRO RESIDENCIA.



Na ocasião, o Núcleo Docente Estruturante do projeto reviu e sistematizou os produtos da fase I e decidiu pela produção de material didático para a multiplicação do Curso, inclusive dando maior escala à formação de preceptores feita em 2012. 


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Didática


Three Teaching Styles



The most effective teachers vary their styles depending on the nature of the subject matter, the phase of the course, and other factors. By so doing, they encourage and inspire students to do their best at all times throughout the semester. 

It is helpful to think of teaching styles according to the three Ds: Directing, Discussing, and Delegating. 

Teaching Styles

The directing style promotes learning through listening and following directions. With this style, the teacher tells the students what to do, how to do it, and when it needs to be done. The teacher imparts information to the students via lectures, assigned readings, audio/visual presentations, demonstrations, role playing, and other means. Students gain information primarily by listening, taking notes, doing role plays, and practicing what they are told to do. The only feedback the teacher looks for is “Do you understand the instructions?” 

Suggestions for using the directing style:
  • Start with the big picture. Provide the context before launching into specifics.
  • Be clear and concise. Students need to know exactly what they must do to succeed and by what criteria their work will be evaluated. Clear goals, specific deadlines, and concise directions increase student motivation and eliminate confusion. Wordy, sloppily written, and poorly organized instructional materials confuse, overwhelm, and discourage students.
  • Provide sufficient detail. Communication breakdowns occur when important details are omitted or instructions are ambiguous. For example, when I once neglected to specify the font size students should use, the papers they turned in had font sizes ranging from 8 to 14!
  • Don’t sugar-coat the message. There are times when teachers need to be very direct and candid to get through to students.

The discussing style promotes learning through interaction. In this style, practiced by Socrates, the teacher encourages critical thinking and lively discussion by asking students to respond to challenging questions. The teacher is a facilitator guiding the discussion to a logical conclusion. Students learn to have opinions and to back them up with facts and data. 

Suggestions for using the discussing style:
  • Prepare questions in advance. Great discussions don’t just happen. Ask one question at a time. Be open, curious, and interested in learning what each student thinks.
  • Don’t allow one or two students to dominate the discussion. Solicit everyone’s ideas and opinions. Gently draw out students who seem insecure and reticent to participate. I sometimes start my classes by saying, “I want to give each of you one minute to discuss your views on this topic. Let’s go around the room and hear from everyone.” Get closure by reviewing the key points you want to make.
  • Have students create questions. I like to have my students read a case study and formulate three questions to ask their classmates. We then discuss their answers in class.
  • Utilize clickers. Clickers are an easy way to get students involved during class. Pose a multiple-choice question and their responses are tabulated on the screen. You can then open it up for discussion as students share why they selected a certain answer.

The delegating style promotes learning through empowerment. With this style, the teacher assigns tasks that students work on independently, either individually or in groups.
Suggestions for using the delegating style:
  • Assign research projects. In my management course I require students to interview a manager of a local business to get answers to questions like the following:
    • What are the main performance measures your company uses to evaluate each employee’s performance?
    • What are the key lessons you, as a manager, have learned about conducting effective performance appraisals?
  • Assign team projects. Have each team select a team leader, define roles and responsibilities, and hold each other accountable for completing the project on time. In my management class, I have teams of students analyze the management and leadership behaviors on movies like Remember the Titans and Crimson Tide.
  • Assign a capstone project. Let students show you what they can do when working independently on a topic that’s important to them.

Use an appropriate mix of each teaching style. I typically structure each of my classes to include some amount of each teaching style. However, during the first part of a semester I use more of the directing style. In the middle part of a semester I typically rely more on the discussing style. And in the latter part of a semester I generally lean more heavily on the delegating style.

Using an appropriate mix of teaching styles helps students learn, grow, and become more independent. Too much reliance on one style causes students to lose interest and become overly dependent on the teacher. 

Summary
 
There is no one best teaching style. Effective teachers use a variety of styles, and they know how and when to choose the most appropriate one for the specific situation. In essence, the three teaching styles boil down to this:
  • Direct — Tell students what to do
  • Discuss — Ask questions and listen
  • Delegate — Empower students

Paul B. Thornton is speaker, trainer, and professor of business administration at Springfield Technical Community College, Springfield, MA. He teaches principles of management, organizational behavior, and principles of leadership. He is the author of Leadership—Off the Wall and twelve other books on management and leadership. He may be contacted at PThornton@stcc.edu

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Saúde Coletiva


Richa sanciona lei que declara de utilidade pública o iNESCO




Prof. Joao Campos, diretor-presidente do INESCO.

O governador Beto Richa sancionou nesta segunda-feira (21/10) a Lei número 425/2013 que declara de utilidade pública o Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (iNESCO). O instituto, com sede em Londrina, no Norte do Estado, promove a formação de profissionais de saúde, em graduação e pós-graduação e atua com organização dos sistemas e serviços de saúde, entre eles o SUS no Paraná.

Com a sanção da lei, o instituto poderá se inscrever em projetos e programas desenvolvidos pelo Governo do Estado e acessar recursos públicos estaduais. “É um privilégio sancionar esta lei, pelo que o instituto representa e contribui para a implantação de políticas públicas na área da saúde em nosso Estado”, disse Beto Richa.

Participaram da solenidade o diretor-presidente do iNesco, João Campos; o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior João Carlos Gomes; o prefeito de Paranaguá, Edison de Oliveira Kersten; o presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Florindo Dalberto, e representantes do instituto.

NOVAS INICIATIVAS - O diretor-presidente do Inesco, João Campos, destacou que o título de utilidade pública possibilita a ampliação dos projetos e a realização de novas iniciativas. “Temos projetos definidos para os próximos quatro anos e o título de utilidade pública abre a possibilidade de conseguirmos recursos para a execução”, afirmou Campos.

Entre os principais projetos estão a reativação da Revista Espaço para a Saúde, Dinamização da Coleção de Livros, Centro de Documentação e Memória sobre a Nova Saúde Pública no Paraná Dr. Walter Pecoits, Centro de Documentação e Pesquisa sobre a Saúde Pública em Londrina Dr. Dalton Paranaguá, VII Fórum Nacional sobre Metodologias Ativas de Ensino e Aprendizagem na Formação Profissional em Saúde (que será realizado de 8 a 10 maio de 2014), II Congresso Paranaense de Saúde Pública (de 14 a 16 de agosto de 2014), Fórum Permanente de Debate sobre a Conjuntura Estadual de Saúde, Pró-Saúde Paraná, Parcerias Estratégicas em âmbito nacional estadual e projetos especiais de Esporte, Saúde e Cidadania em Ação.

O projeto de lei tem a autoria do deputado Gilberto Martin e a relatoria do deputado Tercílio Turini.

iNESCO – O Instituto foi criado em 30 de novembro de 1987 pelas áreas da Saúde Coletiva das Universidades Estaduais de Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Era um núcleo de pesquisa e, antes mesmo de se constituir como instituto, ajudou a organizar o Sistema Único de Saúde no Paraná. Atualmente, o iNesco é formado por um quadro de associados individuais e institucionais. Os trabalhos da iNesco são desenvolvidos em quatro linhas principais: preparação de Recursos Humanos (ensino), prestação de serviços, geralmente consultorias (extensão), pesquisa e edição de publicações.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Epistemologia da Saúde


A busca da verdade no campo científico da saúde

 

Inicio este debate com fragmentos de um editorial escrito em 2004 pelo Dr. Atallah, Diretor do Centro Cochrane no Brasil: "reduzindo-se as incertezas sobre a efetividade e segurança em cada intervenção em saúde, podem-se calcular os custos e os benefícios de cada opção, verificar sua eficiência e transformar esses conhecimentos para que diretrizes clínicas possam ser implementadas. Todo [esse] processo, (...) requer pesquisas científicas rigorosas multidisciplinares, que incluem, além das disciplinas já citadas, a psicologia, a economia, a antropologia, a estatística, a sociologia etc, pois está em jogo a qualidade de vida e o bem comum. Para isso, é preciso não subestimar a importância do que não se conhece, conhecer e ampliar os horizontes sobre o que é relevante e não perder a noção do todo nem dos objetivos da ciência médica"1.
Em seguida, trago para reflexão um texto de Fernando Pessoa que ressalta a complexidade das questões humanas: "Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado. Cada um me contou a narrativa de porque tinham se zangado. Cada um disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Não era que um via uma coisa e o outro, outra, ou um via um lado das coisas e o outro, um lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico um do outro. Mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão. Fiquei confuso a respeito desta dupla existência da verdade"2.
Teoricamente, a reflexão do Dr. Atallah converge com a de Fernando Pessoa e do que dizem os autores deste artigo de debate quando advogam contra o reducionismo científico na área da saúde. Atallah define a "saúde baseada em evidência" como apenas uma forma de diminuir as incertezas dos diagnósticos e intervenções, a favor dos pacientes. E, sem dúvida, têm sido importantes os trabalhos de revisão da literatura que buscam o aprimoramento dos diagnósticos e das intervenções na área da saúde, o que vem ao encontro dos anseios de todos que queremos uma resposta segura e plausível quando alguma enfermidade nos acomete. Portanto, desmerecer esse esforço está fora de qualquer cogitação. Sobre o assunto tecerei quatro considerações.
(1) A primeira é a favor de uma ciência que valoriza a pluralidade dos sujeitos e das racionalidades, o que não deve ser apenas interna ao campo científico, mas abarcar outros saberes provenientes do conhecimento informal expresso na linguagem e na experiência cotidiana. Tal necessidade se fundamenta no fato de que o observador e o observado são partes integrantes do mesmo processo de temporalidades e causalidades múltiplas e simultâneas. Assim, não podemos acolher evidências aportadas pelos estudos biomédicos e clínicos como verdades acabadas, numa área em que a integralidade do sujeito, a intersubjetividade nas relações, a intercessão entre corpo e mente, a força das representações e o papel de vários outros fatores como religião, crenças e valores precisam ser realmente considerados3.
(2) O segundo ponto, diz respeito a questões epistemológicas. As mudanças sociais ocorridas dos últimos 50 anos levaram a maioria dos campos científicos a se questionar sobre sua racionalidade unívoca, o que se expressa na proliferação de uma semântica superlativa incorporada ao dicionário dos profissionais e investigadores: integralidade, interdisciplinaridade, interface, multidisciplinaridade, interprofissionalidade, multiprofissionalidade, transdisciplinaridade, interrelações, interinstitucionalidade e muitos outros. Esse movimento da linguagem sugere uma inquietação e busca de análises e atuações mais abrangentes e interconectadas e reflete a impropriedade das propostas unidirecionais e unívocas4. Tais problemas vêm sendo tratados por muitos autores de renome internacional, dos quais cito, a título de exemplo, Ilya Prigogine, Henri Atlan e Edgar Morin.
Em "O fim da certeza" Prigonine5 fala da contemporânea transição da humanidade e da ciência. Nessa ciência em transição, a noção de complexidade conduz a uma nova racionalidade que supera os determinismos e a ideia de que o porvir já está ou pode ser definido. Prigogine mostra que a ideia de crise e incertezas passou a ser uma característica contemporânea nos estudos sobre os sistemas vivos. O destino dos viventes, lembra o autor, é feito por escolhas a partir de "bifurcações" (de possibilidades que se abrem) causadas por essas crises. A ultrapassagem da racionalidade clássica, diz Prigogine, aproxima a teoria da complexidade muito mais da China e da Índia do que dos tradicionais teóricos da ciência que insistem sobre regularidades, estabilidade, equilíbrio e dualismo entre o mundo dos números e o dos fenômenos. Na visão de Prigogine, por mais que se busque a redução das incertezas, elas persistem como uma condicionalidade de nosso tempo.
Atlan6 conseguiu comprovar que, em certas circunstâncias, é justamente o ruído (o caos, a desordem) que introduz uma novidade nos sistemas vivos, permitindo que eles se adaptem às mutáveis situações do ambiente e, nessa condição, possam melhorar seu desempenho e ganhar mais complexidade. Mas, o dinamismo da autoorganização não acontece sempre positivamente, pois o sistema vivo, em determinadas condições, pode involuir. Traduzindo este pensamento para a questão da saúde, uma evidência científica médica pode se beneficiar de interações positivas entre o profissional e o paciente, o ambiente familiar do doente ou da organização de uma unidade de saúde7. Mas também pode ser prejudicada por um contexto sociocultural e institucional adverso.
Edgard Morin8 também critica a visão cartesiana do mundo e propugna uma nova forma de olhar, pesquisar e atuar frente à realidade. O autor define o que chama de "inteligência cega": inteligência parcelada, compartimentalizada, mecanicista, disjuntiva, reducionista, que destrói a complexidade do mundo em fragmentos distintos, fraciona os problemas, separa o que está unido, unidimensionaliza o multidimensional.
(3) O terceiro ponto a ser ressaltado é de ordem filosófica, fundamentada em autores que mostram ser impossível atingir a verdade absoluta, mesmo quando se faça uso de múltiplas abordagens teóricas e metodológicas. Isso porque nunca a compreensão dos fatos é originariamente e contextualmente total. Heidegger9 nos convida a exercitar incansavelmente a compreensão sobre as experiências e as vivências, dizendo que essa tarefa nos torna humanos. Esse autor ressalta que a facticidade da vida e do ser-nomundo não é uma "coisa em si mesma", e sim, um processo reflexivo de natureza parcial e inacabada, uma vez que ontologicamente os indivíduos se encontram reciprocamente eviscerados no velamento e no desvelamento dos acontecimentos. Assim o entendimento não se esgota nem na subjetividade nem na objetivação, uma vez que está envolto irremediavelmente na verdade e na não verdade. Isso acontece mesmo usando-se os procedimentos científicos mais exigentes. Heidegger chama atenção para o que, posteriormente, foi aprofundado por Gadamer10 sobre o "compreender" que é muito mais do que uma técnica: é o exercício humano de quem se coloca no lugar do outro.
Todos esses filósofos ressaltam também que qualquer processo de interação entre pessoas aponta tanto para o entendimento como para o desentendimento. Habermas11, em diálogo com Gadamer, sublinha que o velamento não ocorre apenas no ato inaugural da inter-relação humana, mas está também na intransparência da linguagem que vem das diferenças sociais e dos interesses de cada ator social em comunicação.
(4) Como consequência desse terceiro ponto, deve-se ressaltar as dificuldades que tais problemas filosóficos trazem para a aplicação dos métodos científicos. Os temas que tratam dos seres humanos - e de sua saúde - atravessam vários campos, cada vez mais especializados e cientes de suas descobertas, teorias, técnicas e propósitos específicos. Trabalhar com fragmentos desse conjunto de conhecimentos teóricos e metodológicos não é fácil. São ainda frágeis as estratégias para atingirmos o que Bertallanfy12 sugere: que abandonemos a ideia de disciplinas e foquemos em totalidades constituídas ao interior da organização dos fenômenos, para que a compreensão dos sistemas vivos e complexos seja alcançada sem reducionismo, sem transferência ingênua de conceitos, sem buscar semelhanças superficiais e transposição de modelos.
Referências
1. Atallah NA. Incerteza, a ciência e a evidência. Diagn. tratamento 2004;9(1):27-28.      [ Links ]
2. Pessoa F. Livro do Desassossego. Lisboa: Assírio & Alvim; 2006. (Coleção Obras de Fernando Pessoa)         [ Links ]
3. Minayo MCS. Estrutura e sujeito, determinismo e protagonismo histórico: uma reflexão sobre a práxis da saúde coletiva. Cien Saude Colet 2001;6(1):7-19.         
4. Minayo MCS. Da inteligência parcial ao pensamento complexo: desafios da ciência e da sociedade contemporânea. Política & Sociedade 2011;10(19):41-56. 
5. Prigogine I. O fim da certeza. In: Mendes C, Larreta E, organizadores. Representação e Complexidade. Rio de Janeiro: Editora Garamond; 2003. p. 47-68.       
6. Atlan H. Entre le cristal et la fumée. Essai sur l'organisation Du vivant. Paris: Seuil; 1979.        
7. Aleksandrowicz AMC. Participação e integração: o ponto de vista das teorias da auto-organização. Cien Saude Colet 2009;14(Supl.1):1609-1618.       
8. Morin E. A necessidade de um pensamento complexo. In: Mendes C, Larreta E, organizadores. Representação e Complexidade. Rio de Janeiro: Editora Garamond; 2003. p. 69-78.  
9. Heidegger M. Ser e tempo. Petrópolis: Editora Vozes; 1988.        
10. Gadamer HG. Verdade e Método. Petrópolis: Editora Vozes; 1999.       
11. Habermas J. Dialética e hermenêutica. Porto Alegre: Editora L± 1987. 
12. Bertalanfy L. Teoria Geral dos Sistemas. Petrópolis: Editora Vozes; 1972.        

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ordenação de Recursos Humanos na Saúde


Entidades conseguem fazer Mais Médicos progredir para Mais Saúde
A pressão das entidades médicas junto aos parlamentares está ajudando o país a ganhar uma ação efetiva para o fortalecimento da saúde pública.  

Nesta terça-feira, após reunião com líderes da base governista e com o deputado Rogério Carvalho, relator da Medida Provisória 621/2103 (que cria o Programa Mais Médicos), os presidentes do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR) obtiveram a promessa de que serão ajustados pontos no texto ainda em plenário, na hora da votação, que aperfeiçoarão o projeto em tramitação. 

Reunião de líderesO presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila, considerou o entendimento alcançado um importante avanço para a assistência brasileira por abrir perspectivas e compromissos concretos relacionados a pontos nas áreas de financiamento e de recursos humanos. Além disso, o resultado do entendimento trouxe um melhor delineamento para a forma como os médicos intercambistas poderão atuar no país. “O que vemos é o surgimento do Mais Saúde em lugar do Mais Médicos. Estamos ajudando o Governo a ampliar seu projeto específico para uma proposta realmente estruturante para a saúde pública brasileira”, disse. 

Entre os pontos acordados está o compromisso de que a base aliada apresentará e aprovará, em plenário, uma emenda na MP que discipline a necessidade de criação de uma carreira de Estado para os médicos a ser implementada em três anos, a qual deverá ser regulamentada e detalhada por meio de Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Atualmente, já há duas propostas deste tipo em fase adiantada de tramitação – uma na Câmara e uma no Senado. 

Outro avanço importante alcançado durante a reunião foi a garantia de retirada do relatório final sobre a MP 621, que vai à votação, de todo o seu capítulo V. Em síntese, os artigos que compõem este trecho criam de um Fórum Nacional de Ordenação de Recursos Humanos na Saúde, que seria composto por representantes da gestão e das 13 categorias profissionais da área da saúde. Entendeu-se que o tema não era pertinente dentro da MP, podendo ser tratado por meio de outros instrumentos normativos, como portaria ministerial. 

Este Fórum teria a incumbência de assessorar o Ministério da Saúde no estabelecimento de políticas públicas de trabalho, educação e alocação de profissionais. Para as entidades médicas, a criação desta representava uma interferência nas atribuições dos diferentes conselhos profissionais, inclusive ameaçando suas autonomias e existências. 

Após a reunião, que durou mais de duas horas, foram informados ainda outros itens que passaram por entendimento entre entidades e líderes da base governista. Entre eles, estão: permanência máxima de intercambistas estrangeiros dentro do Programa Mais Médicos por três anos (dois anos com possibilidade de renovação de contrato por mais um); obrigatoriedade de aprovação em exame de revalidação de diploma para os estrangeiros ou brasileiros que sem títulos revalidados que decidirem ficar no país após o fim de seu contrato; retirada de itens que afetavam as prerrogativas da AMB no que se refere a certificação e recertificação de títulos; e garantia de avaliação dos cursos de medicina na lógica da progressão de conhecimento por meio de aplicação de exames periódicos.

 Com relação ao registro dos intercambistas estrangeiros vinculados ao Programa Mais Médicos ficará com o Ministério da Saúde, com a fiscalização dos profissionais a cargo dos Conselhos Regionais de Medicina. Ao assumir esta responsabilidade, o Governo ficará também encarregado de comunicar aos CRMs os dados dos profissionais, inclusive com os endereços de trabalho e os nomes dos respectivos tutores e supervisores acadêmicos. 

Finalmente, os líderes do Governo sinalizaram com a possibilidade de incluir nas propostas que discutem o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) artigos que assegurem o aumento dos repasses federais de forma consistente e suficiente para atender as demandas da população e de aperfeiçoamento da infraestrutura disponível.  De acordo com o deputado Rogério Carvalho, que também relatará o projeto de lei que discute o financiamento do SUS, deverá ser incluído na proposta encaminhada para votação o compromisso da gestão federal de aportar mais R$ 25 bilhões até 2016 ao orçamento da Saúde. 

“O financiamento é crucial para a sobrevivência do SUS e para a melhoria dos serviços oferecidos à população. Este é um anseio dos brasileiros, o qual não pode ser ignorado pelos parlamentares e pelo Governo. Acreditamos que com esta determinação de transferir mais recursos da União e com a qualificação e modernização da gestão do Sistema Único, os ganhos serão significativos para toda a sociedade, sem prejuízos para a luta em defesa do movimento Saúde+10. O empenho dos médicos e de suas entidades tem sido fundamental para esta conquista”, ressaltou o 1º vice-presidente do CFM, Carlos Vital, que também acompanhou a reunião.


Fonte: Portal do CFM

domingo, 6 de outubro de 2013

Fraudes científicas



Hundreds of open access journals accept fake science paper
 
Publishing hoax exposes 'wild west' world of open access journals and raises concerns about poor quality control
Colourful liquids in test tubes
A fake scientific paper has fooled 157 open access journals. Photograph: Getty Images

Hundreds of open access journals, including those published by industry giants Sage, Elsevier and Wolters Kluwer, have accepted a fake scientific paper in a sting operation that reveals the "contours of an emerging wild west in academic publishing".

The hoax, which was set up by John Bohannon, a science journalist at Harvard University, saw various versions of a bogus scientific paper being submitted to 304 open access journals worldwide over a period of 10 months.

The paper, which described a simple test of whether cancer cells grow more slowly in a test tube when treated with increasing concentrations of a molecule, had "fatal flaws" and used fabricated authors and universities with African affiliated names, Bohannon revealed in Science magazine.

He wrote: "Any reviewer with more than a high-school knowledge of chemistry and the ability to understand a basic data plot should have spotted the paper's shortcomings immediately. Its experiments are so hopelessly flawed that the results are meaningless."

Bohannon, who wrote the paper, submitted around 10 articles per week to open access journals that use the 'gold' open access route, which requires the author to pay a fee if the paper is published.

The "wonder drug paper" as he calls it, was accepted by 157 of the journals and rejected by 98. Of the 255 versions that went through the entire editing process to either acceptance or rejection, 60% did not undergo peer review. Of the 106 journals that did conduct peer review, 70% accepted the paper.

Public Library of Science, PLOS ONE, was the only journal that called attention to the paper's potential ethical problems and consequently rejected it within 2 weeks.

Meanwhile, 45% of Directory of Open Access Journals (DOAJ) publishers that completed the review process, accepted the paper, a statistic that DOAJ founder Lars Bjørnshauge, a library scientist at Lund University in Sweden, finds "hard to believe".

The hoax raises concerns about poor quality control and the 'gold' open access model. It also calls attention to the growing number of low-quality open access publishers, especially in the developing world. In his investigation, Bohannon came across 29 publishers which seemed to have derelict websites and disguised geographical locations.

Numbers of open access publishers are only increasing, according to Jeffrey Beall, a library scientist at the University of Colorado, Denver, who names and shames a list of "predatory" publishers on his website. He said that predatory open access publishers "exploded" last year and numbers continue to grow at a "rapid pace".

Paul Peters, president of OASPA (Open Access Scholarly Publishers Association), three of whose 57 open access publisher members accepted the bogus paper, said the hoax was a "missed opportunity to do a more scientific study with a proper control group of subscription-based journals as well as more random sampling of open access journals that were chosen".

Peters said a more valuable study would have included some sense of whether traditional journals have a similar quality control issue. He added that the scam reflects a weakness in peer review, rather than a flaw in the gold open access model.

OASPA is looking into why some of its members accepted the paper, said Peters. "In the event that we do find that members did not practice appropriate peer review, we will take action that may include asking them to leave the organisation," he said.

With increasing pressure on young researchers and PhD students to "publish or perish", it may be easy to get attracted by some of these low quality/predatory journals, said Eloy Rodrigues, an academic librarian and director of documentation services at the University of Minho in Portugal.

Escolas Virtuais


The Emergence of Virtual High Schools – What You Need to Know


Pamela Rossow


The number of virtual High Schools is growing. What are the answers to some of the FAQs about this new trend in Online Education?
 
Most people have heard about online colleges and students who earn degrees as elearners. Fewer people are aware of the virtual high schools that are emerging which permit students to earn on their high school diplomas online. While some individuals may have concerns regarding virtual high schools, there are numerous benefits that should be explored. What do you need to know about virtual high schools?


Here are answers to commonly asked questions . . .
If I attend a virtual high school, can I attend college after earning my virtual high school diploma?
While you should double check to make sure your virtual high school program is accredited, most of them are. As long as your virtual high school program is accredited by the appropriate agency, you should be able to apply to colleges—just like students from physical high schools—after graduation.
Are virtual high schools considered public or private schools?
Virtual high schools can fall into 4 categories:  public, private, charter, or college-sponsored. Public, virtual high schools are like traditional public schools. They are run by individual states or local school districts. One example of a public, virtual high school is the Minnesota Virtual High School that is offered by Minnesota Transitions Charter School. It includes AP and foreign language classes and is free for qualified students.
Aren’t virtual high schools the same as homeschools?
Public virtual high schools are not thought of as homeschools because they have state assessment tests, state-certified educators, require parent conferences and report cards, and they have attendance policies—along with other differences.
Are virtual high schools more flexible when it comes to coursework than traditional schools?
Often times, virtual high schools are more flexible since students may be able to move ahead with their studies and/or work their school schedule around their lives. While students may have to log in to online discussion boards during school hours, it really depends on the program they are enrolled in.
How are parents involved in the virtual high school process?
Parents should speak with their children’s teachers on a regular basis, check to make sure their children are completing their lessons, act as guides when children need assistance, and keep a record of their child’s progress.
Will getting a virtual high school diploma negatively affect my ability to get a job after graduation?
It should not since a virtual high school diploma is equal to a traditional diploma with regards to employment. If you are a virtual high school grad, you shouldn’t have to specify that you earned your high school diploma online.
Enrolling in a virtual high school is a big decision. It is one that should only be made after gathering information about different programs, speaking to virtual high school teachers, and asking about accreditation. Also ask about socialization opportunities like community service, field trips, clubs, and even sports. Virtual high school attendees have many options, but it is vital that you research these choices well before making any decisions.
Of course, it will be some time before we can start to examine the track records of these virtual institutions – grades, retention, how the students feel about the experience, how successful they are at going on to higher education or directly to the workplace, and so on. Only time will tell.

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