Mostrando postagens com marcador training. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador training. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de abril de 2016

Simulação em neurocirurgia





Brasileira cria simulador ultrarrealista de cirurgia e leva prêmio internacional

Médica desenvolveu bebê simulador para treinamento de neurocirurgiões.
Projeto foi premiado por Federação Mundial de Sociedades de Neurocirurgia.


Mariana Lenharo

Quando a neurocirurgiã pediátrica Giselle Coelho estava no quarto ano de residência, constatou que havia uma grande limitação em estratégias de treinamento para as cirurgias. A dificuldade a levou a desenvolver um simulador ultrarrealista para neurocirurgia em bebês. Tão realista que, em viagem aos Estados Unidos para apresentar o protótipo a seus orientadores, foi chamada a prestar esclarecimentos no aeroporto sobre por que levava em sua mala o que os funcionários acreditaram ser um crânio de bebê de verdade.

O projeto lhe rendeu um prêmio internacional concedido pela Federação Mundial de Sociedades de Neurocirurgia (WFNS, na sigla em inglês), na categoria “Jovem Neurocirurgião” em 2015 e deve contribuir para a formação de novos neurocirurgiões, que poderão praticar os procedimentos sem nenhum risco para os pacientes.

“Quando estava na residência, gostaria de treinar mais os procedimentos neuroendoscópicos, de forma que pudesse ter mais habilidade e confiança antes de treinar em pacientes”, conta. Na época, ela entrou em contato com o professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) Samuel Zymberg, que trabalhava no desenvolvimento de um simulador adulto, e ele a convidou para participar do estudo.

  Neurocirurgiã Giselle Coelho segura bebê simulador que desenvolveu e pelo qual
   recebeu prêmio (Foto: Giselle Coelho/Arquivo pessoal )


Depois, Giselle apresentou seu projeto de bebê simulador a várias universidades, mas ele sempre era recusado. O primeiro “sim” ela ouviu na Universidade Harvard, onde fazia um fellowship na área de planejamento cirúrgico que nada tinha a ver com a proposta do simulador.

Lá ela conseguiu uma reunião com o professor de neurocirurgia pediátrica Benjamin Warf. Responsável por um grande projeto para treinar neurocirurgiões na Uganda, Warf viu a proposta de Giselle com grande entusiasmo e disse que esperava um simulador como esse havia 20 anos.

Com o apoio de Warf, Giselle começou a trabalhar no desenvolvimento do bebê simulador, que passou a ser seu projeto de doutorado desenvolvido na Faculdade de Medicina da USP com período sanduíche na Escola de Medicina de Harvard.

Como um bebê de verdade
 
O bebê simulador – apelidado pela pesquisadora de Gigi – tem o mesmo peso de um bebê de verdade e é feito de materiais que têm texturas e resistências muito similares aos tecidos humanos.


 Bebê simulador em sala de cirurgia antes de procedimento 
  (Foto: Giselle Coelho/Arquivo pessoal)

 
O crânio tem densidade próxima ao osso humano, o que faz com que uma radiografia do “boneco” seja equivalente a uma radiografia humana – daí a confusão no aeroporto e a dificuldade de convencer a segurança de que aquilo era só um simulador.

O uso de um corante proporciona até um “sangramento” no momento da cirurgia simulada (veja o vídeo). “Foi um cuidado que tomei, pois nessa cirurgia o bebê perde muito sangue, então aquelas gotinhas são preciosas. É preciso prestar atenção, pois não pode sangrar”

Para colocar o projeto em prática, Giselle fez parceria com a empresa Pro Delphus, de Olinda (PE), especializada nesse tipo de instrumento.

Ela criou duas versões do simulador: uma para procedimentos de neuroendoscopia – usados em casos de tumores intracerebrais, por exemplo – e outra para cirurgia de cranioestenose – procedimento de correção utilizado quando a cabeça do bebê tem uma alteração no formato.


 Giselle Coelho recebeu Prêmio Jovem Neurocirurgião da World Federation for Neurosurgical Societies (WFNS) por simulador de cirurgia (Foto: Giselle Coelho/Arquivo pessoal)


Antes mesmo de o simulador ser validado na prática, um artigo descrevendo o novo instrumento já foi capa na revista científica “Child’s Nervous System”, publicação da Sociedade Internacional para Neurocirurgia Pediátrica.

Primeiros testes foram bem-sucedidos

A primeira validação do simulador, feita com neurocirurgiões experientes, foi considerada um sucesso. A próxima etapa vai ser validá-lo com médicos não-experientes, que serão os usuários finais do instrumento durante o processo de aprendizado das técnicas cirúrgicas.

Além do “boneco” simulador, Giselle desenvolveu também um vídeo 3D mostrando o passo a passo da cirurgia, com todos os detalhes das estruturas anatômicas envolvida. Quando o projeto estava em progresso, surgiu a oportunidade de se inscrever no prêmio da WFNS.


Fotos mostram simulação de dirurgia de cranioestenose (Foto: Giselle Coelho/Arquivo pessoal)


“Quando ganhamos, fiquei tão feliz. Não acreditava porque foram 55 projetos inscritos do mundo inteiro avaliados por uma comissão de 30 avaliadores de vários países“, conta Giselle.

Para ela, o prêmio foi um estímulo para seguir com o projeto mesmo diante de várias dificuldades que enfrentou. A expectativa é que ele seja usado por várias instituições, inclusive no projeto de treinamento de neurocirurgiões coordenado pelo professor Warf na Uganda.

“Um projeto desse aplicado em larga escala vai colaborar para a segurança do paciente. Essa diferença que ele vai fazer no treinamento de profissionais pode evitar erros e mortes decorrentes de complicações e ser uma ferramenta de mudança da realidade social”, diz Giselle.



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Serious games


Como funciona o treinamento com serious games?


 6a00e54ee3905b883301910484fff7970
Quando empresas começam a aplicar novas estratégias de negócios, entram em um novo mercado, ou precisam preparar melhor seus funcionários para diferentes desafios, muitos líderes acabam se perdendo enquanto tentam encontrar uma forma de conseguir os melhores resultados.
Treinamentos e cursos podem ajudar algumas empresas, mas não é difícil encontrar casos em que o foco é passar a maior quantidade possível de informações e terminar o processo aplicando um teste. Porém essa forma de treinamento se mostra cada vez mais ultrapassada, e hoje sabemos que é muito mais efetivo ensinar maneiras de se comportar de acordo com situações específicas aprendendo na prática.
Nesse contexto é possível criar diferentes soluções inovadoras para o treinamento de funcionários, mas algumas são muito caras e pouco práticas, podendo até mesmo ser perigosas. Por isso uma prática cada vez mais comum é o uso de serious games.

O que são serious games?

Serious games são jogos eletrônicos que têm como principal objetivo treinar pessoas – de vendedores de loja a operários e médicos – através de um ambiente virtual que imita a realidade e faz com que os jogadores pratiquem atividades para aprender.
Usando os mesmos princípios de interatividade e entretenimento encontrados em jogos eletrônicos tradicionais, os serious games são normalmente encomendados para o treinamento de funcionários e engajamento de equipes. Eles podem ser utilizados diversas vezes para promover a prática em diferentes grupos, e são contextualizados dentro das necessidades de cada empresa para melhorar resultados de aprendizado.

Aprendendo na prática

Por ajudar a treinar o comportamento ao invés de simplesmente sobrecarregar funcionários com informações que dificilmente serão aplicadas na prática, os serious games engajam mais os jogadores e, em situações reais, fazem com que se lembrem da maneira como agiram no jogo e apliquem os aprendizados.


Através da dinâmica criada dentro do game, os funcionários podem experimentar sem penalidades diferentes alternativas ao que fariam na vida real, aprendendo na prática com seus próprios erros, e tendo um maior conhecimento das consequências diretas dos seus atos em um cenário virtual para treinar o comportamento.
Os benefícios são ainda maiores para profissões em que o treinamento na vida real seria perigoso ou difícil de ser realizado: serious games permitem simular situações de risco como condutas médicas, manutenção de equipamentos pesados, e decisões em processos industriais que seriam perigosos se praticados no ambiente de trabalho. A diferença é que os games simulam processos reais, mas não ficam presos à realidade. Eles podem utilizar recursos como humor, exagero, repetição e escala para ressaltar o foco de aprendizado.
Nos jogos, as ações do jogador lidam com situações reais, mas com o apelo que reforça o aprendizado e fazem com que os jogadores trabalhem com práticas e não informações isoladas. É importante ter em mente que serious games não se tratam de jogos de pergunta e resposta, e funcionam de forma muito mais efetiva.

Os benefícios dos serious games

Entre os benefícios diretos do uso de serious games para treinamento de funcionários, selecionamos alguns mais importantes:

A ação do jogador é a raiz do aprendizado

game_pulverizador_rift_new_holland_14Ao contrário do que acontece em treinamentos tradicionais, nos quais o funcionário recebe inúmeras informações de forma passiva, os serious games exigem que os jogadores tomem atitudes, façam escolhas, a ajam para atingir objetivos. Os feedbacks imediatos dados pelo jogo fazem com que os jogadores entendam a realidade e imediatamente aprendam com seus erros.

O jogo cria um ambiente controlado

GSN_sebrae_LDP_img4Com regras bem definidas e metas estabelecidas, que imitam situações práticas do mundo real, os jogadores aprendem a entender as regras e os limites possíveis nas suas funções através de tentativa e erro. Eles também participam por vontade própria, o que torna o ambiente seguro e prazeroso, incentivando o treinamento de funcionários.

Resultados bem estabelecidos

insuonline_screen024Enquanto métodos tradicionais testam os funcionários com provas e perguntas de múltipla escolha a respeito dos temas abordados, os serious games conseguem dar resultados muito mais precisos. Dependendo do jogo em questão, é possível analisar a forma como o jogador realizou cada tarefa, e quais foram os resultados destas ações.

Serious Games podem ser usados mais de uma vez

game_pulverizador_rift_new_holland_02As empresas que usarem serious games para treinamentos específicos que devem acontecer mais de uma vez, muitas vezes podem reaproveitar o mesmo jogo. Uma das características fundamentais dos jogos é possuir uma condição de vitória e uma condição de derrota. Portanto, os jogos evitam o comportamento de funcionários que tentam burlar testes e avaliações, uma vez que exige o envolvimento da pessoa na atividade, ou seja, se o funcionário não se envolver não vai conseguir terminar o jogo.