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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Traditional Medicine



Aldeia Indígena de Piaçaguera, em Peruíbe - litoral paulista, lança Cartilha que visa Resgatar a Medicina Tradicional Tupi Guarani

                                                                                     Dra. Elizabeth Cristina Garcia de Carvalho 

                                                                                                                             
Assim como brancos e negros, os índios também estão perdendo o conhecimento dos mais velhos em relação as plantas medicinais, mas felizmente ainda tem iniciativas que estão resgatando estes conhecimentos. No dia 11 de junho em Peruíbe, no litoral paulista, foi lançado na aldeia indígena  Piaçaguera, uma cartilha: “Folhas e Raízes - Resgatando a Medicina Tradicional Tupi Guarani".


A ideia surgiu quando uma criança teve dor de barriga na escola indígena e eles não tinham remédios para aliviar a dor.  Os professores, a princípio, ficaram sem saber o que fazer, mas depois lembraram que a planta "nhimbogwé regwá" (macelinha), era usada antigamente para este fim, então fizeram um chá e a criança melhorou. A partir deste fato, os professores Luan Elisio Apyka e Dhevan Pacheco tiveram a iniciativa de procurar os Anciãos da tribo e o Pajé, para que eles ensinassem as crianças e os professores sobre o uso das plantas da medicina tradicional indígena.

Os alunos se sentiram muito valorizados com a presença dos Anciãos na escola transmitindo seus conhecimentos e logo perceberam a profunda importância daquilo tudo que estava acontecendo, além disso, se deram conta de como é importante que eles próprios, futuramente, possam dar continuidade à transmissão desta sabedoria para as futuras gerações. A partir de então, Anciãos, professores e crianças foram juntos para a mata, em busca de conhecer o habitat destas plantas, aprendendo no próprio local a reconhecer, como colher e como  utilizar cada uma delas.

Com a ajuda da Comissão Pro-Índio de São Paulo e apoio das Secretarias de Educação do município e do estado, parte este trabalho foi concretizado numa cartilha, que será distribuída a todas as aldeias da região e outras.


Na ocasião do lançamento, compôs-se uma mesa com os professores e representantes de várias entidades, e os alunos da escola deram início a uma apresentação de cânticos e danças ritmados por instrumentos tradicionais como a flauta, o chocalho, tambores e violões, transformando tudo em algo muito além de uma simples apresentação, mas num verdadeiro ritual de agradecimento. Em seguida, presenciamos diversas manifestações feitas pelos representantes das Secretarias de Educação do Estado e Município, da Comissão Pró-Índio, FUNAI, dos próprios Anciãos, bem como da diretora e professores da escola, culminado num delicioso almoço tradicional, seguindo tarde adentro com cânticos e danças circulares, que encantou a todos com uma alegria revigorante!

Através do site  www.cpisp.org.br, os interessados podem adquirir esta cartilha escrita em português e em Tupi Guarani, promovendo também um estímulo ao resgate da língua.


*Drª Elizabeth Cristina Garcia de Carvalho, é Homeopata e Fitoterapeuta. Ao longo dos anos, como médica do Programa Saúde da Família, vem se dedicando ao desenvolvimento e incentivo de projetos voltados para o cultivo, manejo e utilização de plantas medicinais junto a comunidades, em diversos municípios nos estados do Rio de Janeiro, Minas e São Paulo.
 
EcoMedicina

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Práticas Integrativas e Complementares



Práticas Integrativas e Complementares (PICS) no SUS

Aconteceu em Brasília, de 05 a 07 de outubro de 2011 o primeiro encontro de pesquisadores em Práticas Integrativas e Complementares (PICS) no SUS, promovido pela Coordenação de PICS do Ministério da Saúde e coordenado pela Profa. Dra. Sandra Abrahão Chaim Salles. Iniciado como um movimento para a criação de uma rede de pesquisa em homeopatia no SUS, a maioria dos convidados presentes foi composta de pesquisadores homeopatas, mas a participação de pesquisadores da fitoterapia contribuiu para que as discussões fossem ampliadas, resultando em proposições que contemplaram as PICS em seu conjunto.

OBJETIVOS DA REDE
Imediatos
• Promover a articulação entre profissionais e pesquisadores em homeopatia/PICS com interesse em participar de pesquisas no âmbito do SUS.
• Criar uma rede articulada de grupos de pesquisa de forma a facilitar a realização de pesquisas multicêntricas
• Facilitar a comunicação entre pesquisadores em homeopatia/PICS, profissionais da saúde e gestores.
• Divulgar e estimular a utilização dos resultados de pesquisas relacionadas a homeopatia/PICS no SUS.
• Colaborar com o Ministério da Saúde na definição de agenda de prioridades de pesquisa em Homeopatia/PICS no SUS.
Médio e longo prazo
• Realizar estudos multicêntricos com base populacional ampliada
• Construir indicadores adequados para avaliação das ações relacionadas a homeopatia e PICS
• Alimentar a rede de pesquisa em APS
• Habilitar pesquisadores à orientação de pesquisas regionais e colaboração em estudos  multicêntricos.
• Constituir grupo de especialistas habilitado a realizar pareceres, opinar na elaboração de editais e oferecer consultorias em áreas especificas do SUS: avaliação de serviços, políticas,  formação de recursos humanos, avaliação clinica, etc.
PRIORIDADES EM PESQUISA EM PICS NO SUS
Como subsidio para as discussões foram apresentadas as macro propostas que compuseram o resultado das Oficinas de Avaliação dos avanços e desafios na implementação da PNPIC, realizadas  em 2010.  Os participantes foram convidados a refletir e considerar aspectos como  RELEVÂNCIA, URGÊNCIA e CAPACIDADE DE ENFRENTAMENTO , para  avaliar a prioridade de cada uma das linhas de pesquisa propostas.  A avaliação do conjunto de pesquisadores presentes definiu como temas prioritários em pesquisa em PICS no SUS:
1- Análise de custo-efetividade de ações das PICS no SUS
2- Pesquisa clínico-epidemiológica das PICS nas diversas linhas de cuidado do SUS
- PICS na saúde do adulto, PICS na saúde mental, PICS na saúde da criança e adolescente, PICS na saúde do idoso, PICS na saúde da mulher, PICS na saúde do homem, PICS na saúde bucal
3- Avaliação do impacto das PICS na qualidade de vida dos usuários do SUS
4- Avaliação da intervenção homeopática nas epidemias e endemias
5- Pesquisa clínico-epidemiológica das PICS nas doenças crônicas não transmissíveis
6- Análise de processos de implantação/ implementação das PICS no SUS.
7- Análise de satisfação dos usuários das PICS no SUS
8- Avaliação e monitoramento de serviços das PICS no SUS
9- Avaliação da intervenção homeopática nas pandemias
10- Análise e avaliação do desempenho dos profissionais formados em cursos de PICS do SUS
11- Análise de satisfação de profissionais das PICS no SUS
Participantes presentes no encontro:
• Ana Rita Novaes, médica Homeopata, mestre em Saúde Coletiva, professora da EMESCAM, no Internato de Saúde Coletiva. Coordenadora de Homeopatia e Acupuntura na SMS de Vitória – ES. 
• Célia Regina Barolo, médica homeopata da área técnica de homeopatia da SMS SP, docente de homeopatia em Entidades Formadoras de São Paulo. 
• Claudia Prass Santos, médica homeopata, docente do Instituto Mineiro de Homeopatia, participação no PROHAMA, da SMS de Belo Horizonte.
• Felipe, representante do projeto Farmácia Viva do DF, participa de projeto na Universidade de Brasília com o programa de fitoterapia. 
• Francisco Freitas, médico homeopata, docente e Coordenador da Residência em Homeopatia da  UNIRIO
• Helvo Slomp, médico homeopata, doutorando da UFPR, mestrado na área de fitoterapia. Professor de Saúde Comunitária na UFPR.  
• Jorge Biolchini, médico homeopata, doutor, professor titular concursado de homeopatia na PUC do Rio de Janeiro, atua como cientista da informação em um convenio do IBICT com a UFRJ, sendo um dos temas principais a biblioteca  virtual temática em saúde (IBICT).
• Mara Zélia – Pós doutorado em etnofitoquímica – mestre e doutora em fitoterapia, professora de pós graduação nas Ciências Farmacêuticas da UFRJ, coordenadora de grupo de pesquisa na UFBa.
• Marco Aurélio Olendzki, médico do serviço de homeopatia do Grupo Hospitalar Conceição de Porto Alegre.
• Nelson Felice, Sociólogo, Doutor pela UNICAMP, Prof. no Depto Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da UNICAMP.
• Odimariles Dantas – médica homeopata, doutora em Medicina Tropical, professora de Pediatria da UFPE e coordenadora do ambulatório de homeopatia na Clinica e Terapêutica da UFPE.
• Reinaldo Mota, médico homeopata, docente da Universidade Federal de Mato Grosso, onde coordena o Núcleo de Práticas Integrativas e Complementares.
• Sandra A. Chaim Salles, médica homeopata, pós doutoranda na Faculdade de Medicina da USP, doutora em Ciências e mestre em Saúde Publica, docente de homeopatia na disciplina Ambulatório Humanizado de Medicina de Família e Homeopatia do curso de medicina do Centro Universitário São Camilo – SP.
• Vera Vasconcelos, médica homeopata, doutora em Ciências pela Fiocruz, pesquisadora visitante na Fiocruz de Recife, docente na Associação Médica Homeopática de Pernambuco.

A formação de uma rede de pesquisadores é estratégica para a produção de dados e evidências que constituam um corpo de conhecimentos consistente e coerente com as racionalidades das práticas que a compõem, contribuindo para fortalecer o reconhecimento das PICs como opção segura, válida e economicamente viável para o SUS.  A rede já está constituída como grupo de comunicação virtual, aberta aos pesquisadores da área, que podem encaminhar solicitação de inclusão ao email: jorge.biolchini@gmail.com. Os interessados deverão preencher um Cadastro de Profissionais, etapa inicial para ingresso na rede de pesquisa.
 
 Sandra A. Chaim Salles, médica homeopata e integrante do comitê coordenador da Rede APS.