quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Predatory journals and publishers




Site mostra que pós-graduação brasileira publica em 485 periódicos predatórios

Lançado neste mês por três professores, Preda Qualis detecta revistas acadêmicas acusadas de não seguirem padrões científicos


MAURÍCIO TUFFANI,



Imagem: Preda Qualis.
 
Pelo menos 485 periódicos acusados de recorrer a más práticas editoriais são usados no Brasil por professores, pesquisadores e pós-graduandos, registra o site Preda Qualis, lançado neste mês por três docentes da USP, Unesp e UFABC. Essas publicações estão na plataforma de dados online Qualis Periódicos, do governo federal, que reúne e classifica cerca de 26,5 mil títulos e serve para orientar pesquisadores, professores e pós-graduandos a escolher de revistas acadêmicas para publicar seus trabalhos.

O objetivo do Preda Qualis, afirmam os autores da iniciativa, é “contribuir para o aperfeiçoamento dos critérios de avaliação dos programas de pós-gradução e do sistema Qualis”, que integra as atividades de avaliação da pós-graduação brasileira pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação.

Dos 485 periódicos “potencialmente predatórios”, 67% foram classificados nos estratos A e B do Qualis, em vez de serem listados no nível C, destinado a publicações consideradas inadequadas, afirmam os autores da iniciativa, Paulo Inácio Prado, do Instituto de Biociências da USP, Roberto André Kraenkel, do Instituto de Física Teórica da Unesp, e Renato Mendes Coutinho, do Centro de Matemática, Computação e Cognição da UFABC.

Embora considerem “baixa” a proporção de periódicos predatórios do Qualis – os 485 títulos detectados correspondem a 1,8% dos 26.477 registrados na plataforma –, os criadores do novo site entendem que “há uma grande vulnerabilidade do sistema de avaliação da CAPES à invasão por este tipo de publicação”.

Ponderações

Logo no início de sua apresentação, os criadores do Preda Qualis advertem que sua lista de títulos potencialmente predatórios “não é uma palavra final e está em constante revisão, devendo ser usada como subsídio para avaliações caso a caso e a critério dos autores e instituições”. E acrescenta:

O fato de um artigo ser publicado em uma revista potencialmente predatória não significa que este artigo seja de má qualidade. Um dos prejuízos causados pelos periódicos predatórios é justamente potencialmente afetar a credibilidade de tais artigos.

O Preda Qualis, está aberto para sugestões de leitores, afirmam Prado, Kraenkel e Coutinho, que também pedem para serem informados sobre quaisquer problemas encontrados no site.

Os periódicos predatórios são revistas editadas por empresas que exploram sem rigor científico o modelo de publicação de artigos acadêmicos em acesso livre, que é mantido por meio da cobrança de taxas de autores ou pelo custeio por parte de instituições científicas.

Tanto no acesso livre como no modelo tradicional, mantido por assinaturas anuais ou pela cobrança por artigo baixado pela internet, os periódicos considerados “legítimos” demoram meses e até mais de um ano para analisar e aceitar artigos, ou rejeitá-los. Os publishers predatórios não só reduzem a poucas semanas o intervalo entre a apresentação e a aceitação de artigos, mas também são menos seletivos e rigorosos nesse processo.

“Quanto mais artigos eles aceitam e publicam, mais dinheiro eles fazem. A prática de autores que fazem pagamentos aos periódicos criou muita corrupção na publicação acadêmica”, afirmou para a Folha em 2015 o biblioteconomista Jeffrey Beall, professor da Universidade do Colorado em Denver, que lançou em 2011 sua lista de “potenciais, possíveis ou prováveis publishers predatórios” em seu blog Scholarly Open Access, desativado em janeiro deste ano.

‘Acontecimento auspicioso’

“Acho essa iniciativa excelente! Espero que seja bem sucedida. O Qualis efetivamente funciona como uma ‘lista branca’. Por isso, é uma grande responsabilidade ter certeza de que exclua periódicos predatórios”, afirmou Jeffrey Beall. “Esses cientistas estão efetivamente defendendo a ciência”, disse ele sobre os criadores do novo site.

“Acho que os autores estão oferecendo um ótimo serviço, ajudando o Qualis a melhorar”, afirmou Beall referindo-se ao Preda Qualis. “O número [detectado] 485, ou 1,8%, é pequeno, mas não demora para que pouco veneno arruine um poço”, acrescentou.

Para o geógrafo Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), um dos raros pesquisadores brasileiros a se posicionar frequentemente sobre o problema dos predatórios, o lançamento do Preda Qualis é  um acontecimento auspicioso para a comunidade científica brasileira, pois no oferece uma primeira ferramenta para saber mais sobre esse tipo de publicação acadêmica.

“Alguns poderão dizer que este não seria o melhor momento para o lançamento deste tipo de ferramenta, na medida em que enfrentamos uma grave crise de financiamento que afeta a capacidade dos pesquisadores brasileiros de seguir publicando nos mesmos níveis da última década. Eu já penso que este é o melhor momento, na medida em que teremos como ter escolhas claras de onde não publicar pesquisas que custam bastante aos contribuintes brasileiros”, afirmou Pedlowski.

“Ao mesmo tempo, poderemos nos mover da falsa dicotomia entre quantidade e qualidade na publicação de artigos científicos para nos concentrar em publicar nas melhores revistas, sejam elas de editoras tradicionais ou de acesso aberto”, acrescentou.

“Minha expectativa é que os colegas que estão lançando o Preda Qualis não se desanimem com as eventuais críticas e mesmo oposição ao seu trabalho. É que os desafios que estão sendo postos no enfrentamento ao crescimento exponencial das revistas predatórias não podem esperar mais para serem atacados de frente”, disse o professor da UENF.

Quase nada a declarar

Questionada por Direto da Ciência por meio de sua assessoria de imprensa, a Capes laconicamente respondeu com a nota transcrita a seguir em sua íntegra.

São classificados no estrato C os periódicos predatórios identificados na maioria das áreas para que o título permaneça visível e dessa forma deixamos claramente sinalizado para os programas, que a produção publicada nesse tipo de periódico não será considerada.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Research funding



Governo vai criar fundo privado para financiar pesquisa e inovação


O governo federal vai criar um inédito fundo privado com o objetivo de apoiar a pesquisa de alto nível no país e qualificar universidades e institutos nacionais a fim de que alcancem maior projeção e visibilidade internacionais.

O fundo deverá ser lançado oficialmente em dezembro e seus recursos – que podem chegar a R$ 2 bilhões por ano –, serão oriundos sobretudo de empresas dos setores elétrico, de bioenergia e petróleo, de telecomunicações e de mineração, que têm de investir ou por contrato ou por dispositivos legais cerca de 1% da receita líquida em pesquisa e desenvolvimento.

Segundo o modelo atual, essas empresas têm a incumbência de construir projetos e encontrar instituições para desenvolvê-los. Muitas vezes, porém, tal processo encontra obstáculos e parte desses recursos acaba não sendo investido na área. Transformam-se em multas das agências reguladoras ou são transferidos para o Tesouro Nacional.

A ideia é alimentar o fundo com parte desse dinheiro, além de oferecer a oportunidade de que outras empresas também contribuam com ele.

Seu formato não será o de um fundo patrimonial – como o do Instituto Serrapilheira, iniciativa privada de apoio a pesquisa –, no qual os rendimentos de uma dotação inicial servem para financiar projetos. A ideia do governo é provê-lo anualmente com os recursos das empresas e distribui-lo por meio de editais.
A previsão é que ele comece a funcionar em 2018 e distribua recursos a partir de 2019.

"A proposta é muito interessante e, por suas características, traz um novo alento aos pesquisadores brasileiros", diz Sandoval Carneiro Júnior [membro titular da Academia Brasileira de Ciências - ABC], professor emérito da UFRJ e diretor-executivo do Instituto Tecnológico Vale.

Marco Antonio Zago  [membro titular da Academia Brasileira de Ciências - ABC], reitor da USP, também elogia a iniciativa, pois considera que ela "pode trazer abruptamente uma quantidade considerável de recursos novos para a ciência e tecnologia, num momento de grande aperto.


Excelência

Embora a Capes, entidade ligada ao Ministério da Educação, seja a responsável por estruturar o fundo, ele será independente e contará com administração privada, com a participação de organizações como a Academia Brasileira de Ciências, a SBPC e a Confederação Nacional da Indústria, além de órgãos como a própria Capes e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

O fundo será atrelado ao Programa de Excelência de Universidades e Institutos, que está sendo criado pelo MEC. Para evitar a contratação de um grande corpo burocrático, ele utilizará a Capes e o CNPq para executar o programa, que deve durar dez anos. E que conta com as seguintes iniciativas:

1) Desenvolver e internacionalizar as instituições de ensino superior.
2) Dar apoio a grupos de excelência em pesquisa básica e aplicada que possam projetar as universidades brasileiras entre as melhores do mundo.
3) Melhorar o relacionamento da academia com o setor privado e com a sociedade, com vistas à inovação.


Este último ponto é crucial, na visão de Carneiro Júnior. "Esse modelo pode propiciar uma interação bastante profícua e necessária entre o que pesquisamos na academia e o setor produtivo."

Com o caráter privado do fundo, busca-se evitar que ele seja contingenciado pelo governo federal ou esteja submetido à lei do teto de gastos, que limita a aplicação de recursos públicos ao Orçamento do ano anterior mais a inflação.

O reitor da USP rechaça a ideia de que a criação do fundo poderia significar uma privatização da área de ciência e tecnologia - crítica comum a iniciativas desse tipo.

Os órgãos governamentais devem ficar responsáveis pela elaboração dos editais e pela avaliação do uso dos recursos distribuídos.


Diagnóstico

Dirigentes da Capes vêm apresentando a ideia do fundo e discutindo-a com membros de dentro e de fora da academia há cerca de três meses.

O diagnóstico que embasa a iniciativa é que o Brasil tem crescido nas últimas décadas em produção científica e tecnológica, mas que a qualidade não acompanha essa marcha. Ademais, as universidades não possuem projeção que corresponda à importância da economia nacional.

Por fim, a capacidade de inovação do país vem decaindo em comparação com a de outras nações. No Ranking Global de Inovação, o Brasil despencou da 47ª posição em 2011 para a 69ª em 2017.

Assim, o componente fundamental do fundo e do programa de excelência é a tentativa de aprofundar a internacionalização da pesquisa brasileira, associando-a aos melhores grupos do mundo.

Pesquisa feita pela Elsevier, empresa que é referência na área de ciência e tecnologia, mostrou que 63% dos pesquisadores brasileiros nunca deixaram o país para fazer pesquisa. O impacto (a quantidade de citações) dos artigos desses cientistas é 24% menor do que a média mundial.

Já os artigos dos 28,6% de pesquisadores que regularmente fazem ciência em colaboração com estrangeiros têm, em média, o dobro do impacto da média mundial.

"É claro que é necessário um apoio básico, permanente e distribuído ao qual todos os pesquisadores tenham acesso", afirma Marco Antonio Zago. "Por outro lado, grandes avanços da ciência exigem recursos vultosos e que têm de ser concentrados em algumas iniciativas que tenham mais substância."


Questionamentos

Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente da Fapesp, também vê com bons olhos a iniciativa, mas diz que pode haver resistência de agências reguladoras e setores econômicos, inclusive com questionamentos jurídicos sobre a destinação dos recursos. "Essa iniciativa é boa. Ela abre debate sobre alternativas para financiar a pesquisa."

Ele afirma que um dos méritos do projeto é ir além da busca por recursos. "Envolve também solicitar planos para a universidade acerca do que ela pretende fazer na área de internacionalização e pesquisa de qualidade."

Mas a comemoração pelo "dinheiro novo" para a pesquisa nacional, diz Marco Antonio Zago, "não exclui outros movimentos para aumentar o orçamento do CNPq, ou para eventualmente descontingenciar fundos setoriais".


Iniciativas envolvidas no programa: os três eixos

1. Inovação
    Melhorar e agilizar o relacionamento entre as universidades e as empresas
   Incentivar a geração de produtos e processos de interesse nacional


2. Internacionalização
   Universidades e instituto de pesquisa devem apresentar plano para internacionalizar a pós-graduação
  Ênfase na mobilidade de doutorandos, pós-doutorandos e professores para o exterior e do exterior para o Brasil


3. Excelência
   Apoio a "clusters" (grupos de pesquisa de uma mesma universidade ou instituto de pesquisa ou locais próximos)  de excelência em pesquisa básica e aplicada
  Pesquisas devem se concentrar em áreas competitivas internacionalmente.





A Diretoria da Academia Brasileira de Ciências esclarece que ainda (17/11/2017) não recebeu nenhuma informação oficial sobre o assunto, e que se manifestará quando da notificação.



Veja a matéria original da Folha de S. Paulo com infográficos.

(Fernando Tadeu Moraes e Phillippe Watanabe para Folha de S.Paulo)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Physician's words



The Iatrogenic Potential of the Physician’s Words

 
 
 
JAMA. Published online October 31, 2017.  doi:10.1001/jama.2017.16216
 
 
Some of the information that physicians convey to their patients can inadvertently amplify patients’ symptoms and become a source of heightened somatic distress, an effect that must be understood by physicians to ensure optimal management of patient care. This effect illustrates the iatrogenic potential of information, as opposed to the iatrogenic potential of drugs and procedures.

Somatic symptoms and underlying disease do not have a fixed, invariable, one-to-one equivalence. Symptoms can occur in the absence of demonstrable disease, “silent” disease occurs without symptoms, and there is substantial interindividual variability in the symptoms resulting from the same pathology or pathophysiology. One mediator of this variability between symptoms and disease is the patient’s thoughts, beliefs, and ideas. These cognitions can amplify symptoms and bodily distress. Although cognitions may not cause symptoms, they can amplify, perpetuate, and exacerbate them, making symptoms more salient, noxious, intrusive, and bothersome.

Several common clinical scenarios exemplify the iatrogenic potential of the physician’s words—for example, instituting a new medication regimen, reviewing an informed consent document, presenting ambiguous laboratory test information, and preparing patients for painful procedures.

Knowledge of the nonspecific, diffuse, ambiguous adverse effects of a drug (such as fatigue, difficulty concentrating, nausea, dizziness, headache) increases the frequency with which they are experienced and reported.1 Whether the information is imparted through discussion with the physician or when obtaining informed consent, patients who learn about the common, nonspecific adverse effects of β-blockers, statins, estrogen-containing oral contraceptives, and agents for obstructive urinary symptoms report more of these putative adverse effects than comparable patients not informed of them. For example, in a study of 76 patients who received β-blocker treatment for hypertension, erectile dysfunction occurred in 32% of the 38 patients explicitly informed of this adverse effect and in 13% of the 38 patients not specifically warned about it.2 Likewise, in a double-blind trial of statins, the incidence of muscle-related adverse effects increased from 1.00% per year to 1.26% per year when patients (n = 9899) were subsequently unblinded and given the active drug.3

The nocebo phenomenon (the development of adverse effects to placebo) strongly supports that patient knowledge of adverse effects influences the reported incidence of these symptoms. Thus, the frequency and profile of adverse effects manifested by patients randomized to receive placebo in controlled, double-blind clinical trials are similar to those they have been told may occur with the active comparator drug.

Providing test results of dubious clinical significance also can lead to increased symptoms. For example, in a randomized study of acute low back pain, one group (n = 210) underwent spine imaging, whereas the other group (n = 211) did not. A treatment plan of conservative medical management was implemented in both groups. At 3-month follow-up, the former group had significantly more pain, greater functional impairment, and more physician visits.4 The problems involved in conveying equivocal test results or anatomical abnormalities of unknown clinical significance (“incidentalomas”) are likely to increase in importance as the volume and resolution of diagnostic testing accelerate.

Pain is particularly sensitive to the beliefs, thoughts, and expectations of patients. The specific language used in describing and preparing patients for painful procedures can affect the pain experience. For example, in a randomized study of women receiving epidural anesthesia or spinal anesthesia (n = 140) for childbirth, those told that the intradermal injection of a local anesthetic would “feel like a bee sting: this is the worst part of the procedure” reported significantly more pain than did those told “the local anesthetic…will numb the area and you will be comfortable during the procedure.”5 The importance of cognitions in the experience of pain is particularly timely, given the current crisis in opiate treatment for chronic, nonmalignant pain.


The Mechanism of Viscerosomatic Amplification

Viscerosomatic amplification has been proposed as an explanatory mechanism whereby information can affect the perception of symptoms.6 The information conveyed by the physician does not cause somatic symptoms but rather amplifies symptoms—symptoms that may be due to the underlying medical condition or to normal physiology (eg, ectopy, orthostatic hypotension), common benign dysfunctions (hoarseness, bloating, cramps), transient and self-limited ailments (rashes, upper respiratory tract infections), stressful life events, lack of exercise, insufficient sleep, or dietary indiscretion.

New medical information can initiate a self-perpetuating and self-validating cycle of symptom amplification (eFigure in the Supplement). Learning that a symptom may be more noteworthy or medically significant amplifies it. Reattributing the symptom to a new and more serious and more concerning source then causes the patient to monitor and scrutinize the symptom more closely, and this heightened attentional focus amplifies the symptom, making it more intense and intrusive, more disturbing and distressing.6,7 The misattribution also launches a selective search for additional symptoms to corroborate the suspicion that something is wrong, resulting in a heightened awareness of other diffuse, transient, or ambiguous symptoms that were previously ignored, minimized, or dismissed as insignificant. The seeming emergence of these “new” symptoms (along with dismissal of observations that do not confirm the suspected cause) is taken as further evidence of seriousness. The cycle of amplification is also fueled by mounting anxiety: Increasing worry and concern about the symptom’s medical significance, and its apparent worsening, make it more threatening and ominous.

 
Modulating Symptom Amplification and Minimizing Undue Distress

Careful attention to what and how information is conveyed can minimize the inadvertent fostering of excessive, disproportionate, and unduly bothersome symptoms. The initial therapeutic step is an exploration of the patient’s ideas about the symptoms: What is the suspected cause of the symptoms and their putative significance, what is the future course expected to be, what is most worrisome and troubling about them? The answers to these questions can lead to more realistic and reassuring discussion of the patients’ specific concerns.

Explaining the process of viscerosomatic amplification can be beneficial. Understanding that the interpretation of medical information can exacerbate and perpetuate symptoms, and learning about the processes of misattribution, selective attention, increased bodily scrutiny, and secondary anxiety, can have a palliative effect by providing patients with a more benign and reassuring explanation for their discomfort. The reassurance that the symptoms, however bothersome, are not medically harmful makes them less intrusive and more tolerable. The nocebo phenomenon provides a vivid, helpful, and nonpejorative illustration of the power of beliefs to amplify symptoms. This discussion also helps by emphasizing and encouraging adaptive coping to increase the tolerance of discomfort. It may be useful to prospectively identify patients at increased risk of disproportionate or undue nonspecific medication adverse effects, so that the amplification process can be explained to them in advance. This can be done with the Perceived Sensitivity to Medicines scale,8 a 5-item self-report questionnaire with demonstrated validity and reliability.

In addition to exploring the patient’s ideas and explaining the process of amplification, physicians need to use care in their choice of words. For example, in discussing potentially painful procedures, physicians can emphasize what will be done to alleviate the pain (such as simple relaxation techniques), use neutral language to describe the experience, and give the patient as much choice and control over the analgesic regimen as is medically feasible. Likewise, language is important in discussing nonspecific drug adverse effects, for example, focusing on the proportion of patients who do not have the adverse effects being enumerated, rather than on the proportion who do, and closely coupling information about benefits with information about adverse effects.

When obtaining informed consent, physicians must absolutely provide complete and truthful information and must avoid fostering a “paternalistic” patient-physician relationship. But balancing the requirement for full and complete disclosure with the iatrogenic potential of some information is problematic. “Contextualized informed consent” has been proposed as an ethical way of balancing these competing imperatives.9 When prescribing a medication, all serious and medically significant adverse effects are of course described, and the patient is instructed to report all adverse effects; however, if the patient agrees, benign, nonspecific symptoms are not enumerated in advance because it is explained that doing so makes them more likely.

Unusually distressing symptoms may point to difficulties in the patient-physician relationship, because symptoms can be a nonconfrontational and less explicit way of expressing doubts or concerns that patients feel and are unable or too embarrassed to voice openly. Symptoms can then become a covert, nonverbal communication of anxiety about pain, misgivings about medications, concerns about the meaning of a diagnostic test result, or concerns about the physician’s care or expertise.1

Conclusions
Information is an important mediator of the variability in the relationship between disease and symptoms. Some nonspecific drug adverse effects, undue pain from procedures, and symptoms exacerbated by learning about test results of unclear medical significance can be understood to share similar pathogenic mechanisms and respond to similar strategies of medical management.

Article Information 
 
Corresponding Author: Arthur J. Barsky, MD, Department of Psychiatry, Brigham and Women’s Hospital, 60 Fenwood Rd, Boston, MA 02115 (abarsky@bwh.harvard.edu).
Published Online: October 31, 2017. doi:10.1001/jama.2017.16216
Conflict of Interest Disclosures: The author has completed and submitted the ICMJE Form for Disclosure of Potential Conflicts of Interest and none were reported.
 
 
References
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Barsky  AJ, Saintfort  R, Rogers  MP, Borus  JF.  Nonspecific medication side effects and the nocebo phenomenon.  JAMA. 2002;287(5):622-627.PubMedGoogle ScholarCrossref
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Gupta  A, Thompson  D, Whitehouse  A,  et al; ASCOT Investigators.  Adverse events associated with unblinded, but not with blinded, statin therapy in the Anglo-Scandinavian Cardiac Outcomes Trial-Lipid-Lowering Arm (ASCOT-LLA): a randomised double-blind placebo-controlled trial and its non-randomised non-blind extension phase.  Lancet. 2017;389(10088):2473-2481.PubMedGoogle ScholarCrossref
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domingo, 12 de novembro de 2017

Interprofessional Education



III Colóquio Internacional de Educação e Trabalho Interprofissional em Saúde: como estamos formando?

Brasília, 07 - 09/12/2017


Tema: A educação interprofissional e o desafio de formar sujeitos implicados com as complexas necessidades de saúde do Brasil


PROGRAMAÇÃO











Faculty development



Study: Blending curriculum, PD

can help novice teachers improve

Comics and Medical Education



Medical and physician assistant students’ views on integrating comics into medical education

Amani Elghafri[1], Renee R. Stewart[2], Ramya A. Sampath[3], Jennifer C. Kesselheim[4], Michael J. Green[5]

Institution: 1. Internal Medicine Residency Program, Medical Education, Beaumont Hospital, Dearborn, MI, 2. Department of Humanities, Penn State College of Medicine, Hershey, PA, 3. Division of General Internal Medicine and Primary Care, Brigham and Women’s Hospital, Boston, MA, 4. Master of Medical Sciences in Medical Education Program, Harvard Medical School, Boston, MA, 5. Departments of Humanities and Medicine, Penn State College of Medicine, Hershey, PA,
Corresponding Author: Dr Amani Elghafri dr.elghafri@gmail.com
Categories: Professionalism/Ethics, Medical Education (General), Teaching and Learning 
 


Abstract

Purpose: This study explored comics as a tool for teaching medical and physician assistant (PA) students about end-of-life decisions and advance care planning.
Methods: Using a mixed method convergent design, a survey (consisting of a five-point Likert scale and open-ended questions) was administered to second-year medical and first-year PA students enrolled in an Ethics and Professionalism class at a US medical school. The survey assessed students’ perspectives on the addition of a comic “Betty P.” to assigned readings and about the use of comics in the classroom. Quantitative results were compared by demographics, and open-ended responses were analyzed qualitatively for emergent themes. Quantitative and qualitative findings were compared for correspondence.
Results: Of the 145 students who completed the survey (83%), 141 students (81%) had read the comic. The vast majority (89%) felt that “Betty P.” helped them understand end of life care for patients, and 84% felt that the comic did not distract them from the seriousness of the subject. Qualitative analysis revealed 2 major themes: 1) comics were educational, and 2) comics engaged learners emotionally. We observed convergence between quantitative and qualitative results.
Conclusion: Integrating comics as a supplemental teaching tool is an innovative way to engage medical students.  

Keywords: Comics and Medicine, Medical Education, Educational Comics, Medical Ethics, End of Life Care