domingo, 15 de maio de 2011

Trabalho em Equipe Multiprofissional

Are female students in general and nursing students more ready for teamwork and interprofessional collaboration in healthcare?


Margaretha Wilhelmsson, Sari Ponzer, Lars-Ove Dahlgren, Toomas Timpka and Tomas Faresjo
BMC Medical Education 2011, 11:15doi:10.1186/1472-6920-11-15

Published: 21 April 2011

Abstract (provisional)

Background

Interprofessional Education (IPE) is now spreading worldwide and many universities are now including IPE in their curricula. The aim of this study was to investigate whether or not such student characteristics as gender, previous working experience in healthcare, educational progress and features of the learning environment, such as educational programmes and curriculum design, have an impact on their open-mindedness about co-operation with other professions.

Methods

Medical and nursing students at two Swedish universities were invited to fill in the Readiness for Interprofessional Learning Scale (RIPLS). Totally, 955 students were invited and 70.2% (n = 670) participated in the study. A factor analysis of the RIPLS revealed four item groupings (factors) for our empirical data, but only one had sufficient internal consistency. This factor was labelled "Team Player".

Results

Regardless of the educational programme, female students were more positive to teamwork than male students. Nursing students in general displayed more positive beliefs about teamwork and collaboration than medical students. Exposure to different interprofessional curricula and previous exposure to interprofessional education were only to a minor extent associated with a positive attitude towards teamwork. Educational progress did not seem to influence these beliefs.

Conclusions

The establishement of interprofessional teamwork is a major challenge for modern healthcare. This study indicates some directions for more successful interprofessional education. Efforts should be directed at informing particularly male medical students about the need for teamwork in modern healthcare systems. The results also imply that study of other factors, such as the student's personality, is needed for fully understanding readiness for teamwork and interprofessional collaboration in healthcare. We also believe that the RIPL Scale still can be further adjusted. 


 * Para ler a versão provisória deste artigo na íntegra, clique aqui. 


Revista eletrônica do HU/USP

Autopsy and Case Reports
O Hospital Universitário da Universidade de São Paulo lançou em março p.p. o primeiro número da revista eletrônica Autopsy and Case Reports, que tem como proposta publicar artigos científicos originais, estudos clínicos ou experimentais relacionados a autópsias acadêmicas ou que tenham correlação clínico-patológica-radiológica.
A publicação segue as diretrizes do Movimento de Acesso Aberto (Open Access) - possibilitando acesso ao texto integral, tem interface trilíngue (português, inglês e espanhol) e está disponível em www.autopsyandcasereports.org.
Com esta publicação o HU USP passa a disseminar com conteúdo livre as informações e conhecimentos científicos adquiridos pelos profissionais do HU e da comunidade externa e internacional da saúde.
A Comissão Editorial é formada pelos Doutores Fernando P. Ferraz de Campos e Aloísio S. Felipe da Silva e a Senhora Maria Alice de F. Rangel Rebello.


Pirâmide de Miller

John J. Norcini, Presidente da FAIMER - Foundation for Advancement of International Medical Education and Research -  e grande expert em Psicometria (em especial Avaliação de performance clínica), explica brevemente durante apresentação o quê é a Pirâmide de Miller.

Produtividade na Educação

O fim da educação
Nelson Pretto - Terra Magazine
A vida de pesquisador nas universidades está ficando cada dia mais estranha. Quando comecei minha vida acadêmica no Instituto de Física da Universidade Federal da Bahia, recebi logo na chegada um lugarzinho, uma sala com ar condicionado, escrivaninha, cadeira, máquina de datilografar, um telefone - que na verdade não funcionava lá muito bem! -, papel e caneta. Os livros, estavam na biblioteca ou os comprávamos, porque também não se publicava tanto quanto hoje. Dividia a sala com mais um colega e, dessa forma, fazia minhas pesquisas sobre o ensino de ciências e dava aulas na graduação. Depois, passei a integrar o corpo docente da pós-graduação em Educação e, também por lá, sem nenhum luxo e bem menos infra, tinha as condições mínimas para pesquisar sobre a qualidade dos livros didáticos, campo inicial de pesquisa na minha vida universitária.
O tempo foi passando e a universidade foi se especializando no seu novo jeito de ser. Foi crescendo e ganhando força a pós-graduação, apareceram os grupos de pesquisas que passaram a ser cadastrados no CNPq, surgiu o Currículo Lattes - o Orkut da academia -, a CAPES intensificou a avaliação da pós-graduação e... a guerra começou. Com as demandas para a pesquisa cada dia sendo maiores e o com os recursos minguando (o Brasil investe em C&T apenas 1,2% do PIB enquanto os Estados Unidos, por exemplo, investem 2,7%), a avaliação da produtividade - palavrinha estranha no campo da pesquisa científica, não?! - ganha corpo, no Brasil e no mundo. "Publicar ou perecer" virou o mantra de todo professor-pesquisador. Mais do que isso, nas universidades não temos mais aquelas condições básicas dadas pela própria instituição já que, de um lado, ela foi perdendo cada vez mais seu orçamento de custeio e, de outro, as demandas aumentaram muito uma vez que, mesmo na área das Humanas, necessitamos de muito mais tecnologia. Por conta disso, temos que, literalmente, "correr atrás" de recursos através dos chamados editais. Assim, cada grupo de pesquisa vive em função de sua capacidade de captação de recursos - quem diria que estaríamos falando assim, não é?! - e transformaram-se em verdadeiros setores administrativos nas universidades. Demandam secretários, contadores (esses, seguramente, os mais importantes!), administradores, bibliotecários, constituindo-se em um verdadeiro aparato burocrático para dar conta das cobranças formais de cada um destes editais e de suas famigeradas prestações de contas.
Pois quando pensamos que já estávamos no limite, e os colegas Waldemar Sguissardi e João dos Reis da Silva Jr com o seu "O trabalho intensificado nas Federais" mostraram bem o fundo do poço, sabemos através do colega Manoel Barral-Neto no seu blog "Sciencia totum circumit orbem" que pesquisadores chineses estão recebendo um "estímulo" equivalente a 50 mil reais para publicar suas pesquisas nas revistas de "alto impacto" científico, a exemplo da Science. Nos comentários que se seguiram ao texto, tomamos conhecimento com a postagem de Renato J. Ribeiro que a Universidade Estadual Paulista (UNESP) está dando um prêmio de cerca de 15 mil reais para quem publicar na Science ou Nature, duas revistas de alto "fator de impacto".
Também de São Paulo outra noticia veio à tona recentemente: o resultado da última avaliação realizada pelo Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) apontou que os estudantes não se deram muito bem na avaliação de 2010. É com base no rendimento dos alunos que os professores da rede estadual paulista recebem uma gratificação - um bônus - no seu salário, num esquema denominado "pagamento por performace", implantando no Estado supostamente para "estimular" a melhoria da educação paulista. O que se viu com os últimos resultados é que essa estratégia não funcionou.
E não funcionou porque esse não pode ser o foco da avaliação da educação. A educação, em todos os níveis, precisa ser fortalecida, mas não como o espaço da competição e sim como um espaço de formação de valores, da colaboração e da ética. Em qualquer dos seus níveis, a educação precisa ser compreendida como um direito de todo o cidadão e que não pode ser trocada por uns trocados.
Lembro Milton Santos: "essa ideia de que a universidade é uma instituição como qualquer outra, o que inclui até mesmo a sua associação com o mercado, dificulta muito esse exercício de pensar". De fato, com um dinheirinho extra por cada publicação, com um novo edital disponível para o próximo projeto, com a avaliação da CAPES na pós-graduação batendo às portas, deixando todos de cabelo em pé, e com a lógica do "publicar ou perecer", parece que estamos chegando perto do fim da universidade enquanto espaço do pensar e do criar conceitos. Viramos, pura e simplesmente, o espaço da reprodução do instituído.
E isso é, no mínimo, lamentável. Na verdade, é o próprio fim da educação.


Nelson Pretto é professor e já foi diretor (2000-2004 e 2004-2008) da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Membro titular do Conselho de Cultura do Estado da Bahia. Físico, mestre em Educação e Doutor em Comunicação.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Banco Nacional de Ítens da Educação Superior - BNI

REVALIDA - Inscrição de Elaboradores da Prova

As inscrições para selecionar e credenciar colaboradores para o Banco Nacional de Itens (BNI) da Educação Superior continuam abertas. O prazo para se cadastrar foi prorrogado até o dia 15 de maio. Tem como foco os itens que irão compor a prova do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos expedidos por Instituições de Educação Superior (Revalida). Cadastra-se pelo endereço http://bni.inep.gov.br/inscricao, e pleiteie as funções de elaborador de itens para a avaliação escrita e de habilidades clínicas, revisor técnico-pedagógico e revisor de Língua Portuguesa.

Para se candidatar à função de elaborador de itens e revisor técnico-pedagógico, é preciso no mínimo ter diploma de Medicina ou registro profissional no Conselho Regional de Medicina (CRM), ser vinculado à instituição de educação superior e exercer atividade de ensino em uma das seguintes áreas: Clínica Médica, Cirurgia Geral, Medicina de Família e Comunidade / Saúde Coletiva, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia. Diploma de graduação em Letras / Português, licenciatura e/ou bacharelado, com experiência comprovada em revisão de textos, são os requisitos básicos para se pleitear a função de revisor de Língua Portuguesa. Os inscritos serão analisados ainda com base nos requisitos complementares de cada área, especificados no edital.

Os candidatos com as melhores pontuações deverão fazer um curso de capacitação realizado pelo Inep, nos dias 25 e 26 de maio, em Brasília-DF.  Os candidatos serão convocados para esse treinamento até 13 de maio.

Os colaboradores serão convocados para elaboração de itens, revisão técnico- pedagógica e revisão de Língua Portuguesa de acordo com as necessidades do Inep.

Maiores informações pela página do INEP (http://www.inep.gov.br)


SITE PARA INSCRIÇÃO:
http://bni.inep.gov.br/inscricao/



CLIQUE ONDE ESTÁ INSCRITO “INSCREVA-SE” NA 2ª PARTE DA TELA



DEPOIS DE CLICADO, APARECERÁ: INSCRIÇÃO EM VERMELHO

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Abertura de novas Escolas Médicas


Abertura indiscriminada de escolas médicas no país coloca em risco a saúde da população


O Conselho Federal de Medicina (CFM) manifestou publicamente nesta quarta-feira (11) seu repúdio à abertura indiscriminada de novos cursos de Medicina no Brasil. Em nota distribuída a imprensa, assinada conjuntamente com os 27 Conselhos Regionais de Medicina, foram apresentados os problemas causados pelo fenômeno que fez que em num período de 10 anos o total de cursos do gênero aumentasse em 80% no país. Entre os pontos apresentados, um alerta à sociedade: a falta de critérios por parte das autoridades responsáveis contribui para a má formação de médicos e, por consequência, coloca em risco a saúde da população.

“Convidamos o Governo, o parlamento e a sociedade para um debate descontaminado de paixões, já que o valor da saúde do povo brasileiro é muito maior do que explicações simplistas”, afirmam o CFM e os 27 CRMs. De acordo com as entidades que assinam o documento, o Governo – por meio de setores da gestão – e alguns especialistas insistem na simplificação do problema da desassistência no Brasil atribuindo-o a uma suposta falta de médicos.

No entanto, os dados do CFM mostram que não existe este déficit. Os números mais recentes apontam um contingente de 347 mil médicos no Brasil, com a previsão de formar 16 mil novos profissionais a cada ano. Contudo, os Conselhos identificam na concentração de 72% desse total nos estados do Sul e Sudeste um grave problema “em decorrência da falta de políticas públicas para a interiorização da Medicina e da assistência”.

Os cálculos mostram que, no momento, a média nacional é de um médico por 578 habitantes, mas a má distribuição leva a distorções importantes. Por exemplo, no interior de Roraima, esta relação é de um médico por 10.306 habitantes, semelhante ao de países com baixíssimo índice de desenvolvimento humano (IDH). Na nota conjunta, a criação de uma carreira de Estado para o médico é apontada como a saída para corrigir diferenças deste tipo. Na avaliação das entidades, essa solução traz embutida oferta de honorários dignos e perspectivas de progressão funcional, além de garantir ao médico de áreas remotas condições de fazer diagnósticos e tratamentos.

Na nota, o CFM e os CRMs cobram ainda dos gestores públicos a adoção de outras medidas para contornar o problema, como a garantia de mais recursos para o SUS e qualificar a gestão do sistema, garantindo-lhe infraestrutura adequada ao seu funcionamento. “A abertura de novos cursos de Medicina não resolverá o caos do atendimento, ao contrário do que defendem alguns. A duplicação do número de escolas médicas - entre 2000 e 2010 - não solucionou a má distribuição dos médicos, mantendo a desassistência, inclusive nos grandes centros urbanos”, relatam as entidades.

Os conselhos argumentam que, neste período, foram criadas 80 escolas, sendo que boa parte delas não tem condições de funcionamento. Na nota, as entidades ressaltam que esses estabelecimentos não têm instalações adequadas, contam com ambulatórios e hospitais precários (ou inexistentes) e não oferecem conteúdo pedagógico qualificado aos estudantes. Para os Conselhos de Medicina, “o Ministério da Educação, ao não cobrar a obediência às regras que autorizam o funcionamento das escolas, colabora com a abertura de cursos de forma indiscriminada e com a formação de médicos despreparados para atender a população”.

Confira abaixo a íntegra da nota do CFM e dos CRMs:


Abertura indiscriminada de escolas médicas põe em risco saúde da população


O Conselho Federal de Medicina (CFM), em defesa do bom exercício do trabalho médico e da qualidade da assistência, manifesta seu repúdio à abertura indiscriminada de novos cursos de Medicina, pelos motivos a seguir:

1)         Há 347 mil médicos no Brasil, com a previsão de formar 16 mil novos profissionais a cada ano. Contudo, a concentração de 72% desse contingente no Sul e Sudeste configura grave problema em decorrência da falta de políticas públicas para a interiorização da Medicina e da assistência.

2)         A média nacional é de um médico por 578 habitantes. Contudo, em Roraima, o índice é de um médico por 10.306 habitantes. A criação de uma carreira de Estado para o médico é a saída para corrigir estas distorções, com oferta de honorários dignos e perspectivas de progressão funcional.

3)         É preciso ir além: o governo deve assegurar mais recursos para o SUS e qualificar a gestão do sistema público, garantindo-lhe infraestrutura adequada ao seu funcionamento.

4)         A abertura de novos cursos de Medicina não resolverá o caos do atendimento, ao contrário do que defendem alguns. A duplicação do número de escolas médicas - entre 2000 e 2010 - não solucionou a má distribuição dos médicos, mantendo a desassistência, inclusive nos grandes centros urbanos.

5)         Neste período, foram criadas 80 escolas. Boa parte delas não tem condições de funcionamento. Elas não têm instalações adequadas, contam com ambulatórios e hospitais precários (ou inexistentes) e não oferecem conteúdo pedagógico qualificado.

6)         O Ministério da Educação, ao não cobrar a obediência às regras que autorizam o funcionamento das escolas, colabora com a abertura de cursos de forma indiscriminada e com a formação de médicos despreparados para atender a população.

Convidamos o Governo, o parlamento e a sociedade para um debate descontaminado de paixões, já que o valor da saúde do povo brasileiro é muito maior do que explicações simplistas.


Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselhos Regionais de Medicina (CRMs)
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Fonte: Setor de Imprensa - Conselho Federal de Medicina

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Telemedicina


 
 

Diagnóstico de infartos a distância


Agência FAPESP – A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo vai implantar uma rede para identificar, a distância, pacientes com síndrome coronária aguda que dão entrada em hospitais e prontos-socorros no estado.
O sistema, conhecido como Point of Care Test (POCT), é considerado o mais moderno para verificar os níveis de troponina, importante marcador de necroses, para diagnosticar angina instável ou mesmo infarto do miocárdio.
Segundo a Secretaria da Saúde, o POCT funciona como um teste portátil de laboratório e tem a mesma dimensão de uma máquina de cartão de crédito. No lugar do leitor magnético, há um cartucho descartável para ser inserida a amostra de sangue.
Outra vantagem desse teste é a quantidade da amostra: com apenas uma picada no dedo é possível conseguir a quantidade de sangue suficiente para verificar o nível de troponina, por exemplo.
A agilidade no resultado por meio desses testes (10 minutos para o valor da troponina) é outro diferencial a ser considerado, pois permite um diagnóstico mais preciso.
O teste é transmitido, junto com o eletrocardiograma, por sinal de telefonia celular ao hospital estadual Dante Pazzanese, onde cardiologistas de plantão fazem o diagnóstico.
Três hospitais da rede estadual (Conjunto Hospitalar do Mandaqui, Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos e Instituto Dante Pazzanese) participam do projeto piloto, e a meta é expandir progressivamente o sistema para todas as unidades com atendimento de urgência, com o objetivo de diminuir a mortalidade por infartos.
“Queremos que todos os hospitais da rede pública paulista alcancem os índices de padrões mundiais de detecção de infartos que hoje o Dante Pazzanese já possui”, disse Ricardo Tardelli, coordenador estadual de Saúde.
Idealizado pela divisão de Bioengenharia do Dante Pazzanese, sob coordenação do engenheiro Cantídio de Moura Campos Neto, o serviço utiliza sinal de celular para encaminhar o exame à central de laudos e enviar o laudo à unidade solicitante, em um período médio de 20 minutos.
O serviço de tele-eletrocardiograma conta com uma equipe especializada de 14 cardiologistas e funciona 24 horas por dia. Em todo o Estado e São Paulo, já são 75 hospitais, ambulatórios e postos de saúde integrados à Central de Laudos do Instituto Dante Pazzanese. Em 2010, mais de 170 mil exames foram realizados por esse sistema.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Saúde da Família

Estratégia Saúde da Família foi revolucionária, mas parou no tempo, avalia especialista

Flávia Villela - Agência Brasil   08/05/2011

Rio de Janeiro – O Programa Saúde da Família (PSF) criado há 15 anos pelo governo federal revolucionou o sistema de saúde no Brasil. No entanto, a estratégia, voltada para a atenção primária, não tem conseguido acompanhar as mudanças dos tempos e corre o risco de fracassar, fragmentando e precarizando o sistema de saúde como um todo. Essa é a opinião do médico generalista espanhol Juan Gérvas, que atua há mais de 40 anos na área de assistência primária e saúde pública, com estudos publicados em diferentes países.
Gérvas está no Brasil há cerca de um mês, juntamente com Mercedes Pérez, também médica de família, visitando centros de saúde de 40 cidades à convite da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC). O resultado da visita será um relatório com análises e diretrizes a ser entregue ao Ministério da Saúde.


O especialista concedeu uma entrevista à Agência Brasil sobre o tema. Abaixo, os principais trechos da conversa.
ABr: Qual a avaliação que o senhor faz do Programa Saúde da Família?
Gérvas:
A estratégia de medicina de família revolucionou a atenção primária no Brasil e é um triunfo louvável. Entende-se que há vinte anos, o Brasil já havia desenvolvido essa atenção primária para pobres, mas não basta ter uma história bonita. Um sistema sanitário para pobres termina sendo um pobre sistema. Essa história tem que mudar para potencializar o sistema, senão os gastos de saúde vão chegar a níveis insuportáveis, como nos Estados Unidos, da ordem de 18%, onde não se investe em prevenção universal. No Japão, esse percentual chega a 8%, na Alemanha, entre 10% e 12%. Nos Estados Unidos vemos um sistema fragmentado com planos de saúde, convênios, empresas que têm planos privados. Isso encarece e enfraquece a saúde da população. Os norte-americanos têm mais do que o dobro de amputados por diabetes do que nos demais países desenvolvidos, casos que poderiam ser evitados se houvesse uma atenção primária forte.
ABr: O que fazer para que não ocorra essa fragmentação e precarização do sistema no Brasil?
Gérvas:
Tornar o Programa Saúde da Família uma estratégia de Estado, um sistema universal. Dotá-la de meios para que possa responder, em um país moderno, às necessidades da população. E oferecê-la também às classes médias e altas. Na Europa, no Canadá ou na Nova Zelândia, onde existe um sistema único consolidado e elogiado, os médicos de família atendem as pessoas sem distinção de classe. Os mais pobres tendem a reclamar menos, têm poucos mecanismos de rejeição, são menos exigentes que a classe média. Por exemplo, as salas de espera de alguns centros que visitamos são de um país terceiro-mundista, num país que é a oitava potência mundial. E ninguém reclama. Então o momento é agora. Ou o Brasil opta por um sistema único primário forte como o Reino Unido e outros países ricos ou por uma atenção primária debilitada como os Estados Unidos, em que tudo fica na mão de especialistas. Os especialistas, por melhor que sejam, não conhecem o histórico do paciente como um médico generalista, e acabam sendo perigosos, no fim das contas, pois a combinação de medicamentos pode ser mortal.
ABr: Muitos médicos de saúde primária se queixam de baixos salários e do vínculo empregatício instável por não serem funcionários públicos e alegam que esses dois fatores contribuem para a alta rotatividade nos centros de saúde e a falta de médicos em áreas como pediatria e ginecologia.  O que o senhor pensa sobre isso?
Gérvas:
A rotatividade é muito prejudicial na assistência primária, pois o médico de família precisa conhecer bem os pacientes e a comunidade e só o tempo possibilita esse vínculo e diminui os gastos públicos. No entanto, não acredito que o problema seja necessariamente o valor do salário ou o vínculo empregatício. O que é necessário sempre são incentivos. Na Espanha, por exemplo, somos funcionários públicos, mas ainda assim existe alta rotatividade, pois muitas vezes as condições de trabalho são precárias e falta estímulo. Um incentivo pode ser, por exemplo, para que o médico permaneça no mesmo lugar. Ou seja, um médico recebe um pouco de incentivo no segundo ano trabalhando num determinado centro, um pouco mais no terceiro e assim por diante e se sai desse centro perde o incentivo. Pode ser dinheiro, pode ser bolsa acadêmica, benefícios outros.
ABr: O senhor já visitou dezenas de centros de saúde da família de oito capitais brasileiras. Que impressões tirou até o momento?
Gérvas:
Os recursos humanos são excepcionais, assim como a abrangência em algumas cidades. Ao mesmo tempo, falta uma medicina moderna. Por exemplo, um paciente que está de cama, não precisaria sair de casa, como ocorre aqui, para fazer exames simples como o de sangue. Na Europa, médicos e enfermeiros levam tiras de urina e materiais descartáveis para tirar o sangue em suas maletas. Falta nos centros brasileiros um pequeno equipamento chamado debitómetro, que não custa muito e que é essencial para o controle da asma. Outro equipamento que deveria estar presente nos centros é o espirômetro, um pouco maior que um celular, que possibilita medir a capacidade do pulmão, sem que o paciente tenha que procurar um pneumologista.  Ou seja, são coisas muito elementares, pouco onerosas. Não tem cabimento que um agente de saúde vá visitar seus pacientes com um celular pessoal ultramoderno, porém, um bolo de papéis com as informações de cada paciente, em vez de usar um laptop, notebook ou mesmo tablet para fazer anotações das visitas e poder enviar e receber esses dados.
ABr: O senhor acredita que exista pressão por parte de grandes grupos coorporativos de planos de saúde e laboratórios para que o sistema de atenção primária não se consolide?
Gérvas:
Não acredito em teorias da conspiração. Creio que o problema é uma confiança exagerada no modelo atual, que funcionou bem por muito tempo. Mas a tecnologia mudou, a sociedade e o país precisam acompanhar essas mudanças. O perfil epidemiológico no Brasil mudou; antes os maiores problemas eram as infecções, a natalidade, as doenças contagiosas. Hoje, vemos a população morrer mais de câncer, problemas de coração, doenças mentais degenerativas. Agora é o momento de redesenhar esse modelo, aproveitando o que há de bom e oferecer uma medicina moderna, onde o médico de família seja o centro e o filtro para as outras especialidades.

* Esta matéria foi indicada pela Prof. Oscarina Ezequiel (UFJF), leitora deste blog e grande amiga.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Teste de Progresso

Teste de Progresso da 
Regional SUL II da ABEM

 

A Regional Sul II da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM) elegeu como uma de suas prioridades a avaliação de estudantes e o teste de progresso como a sua estratégia principal de avaliação formativa e interinstitucional.
Durante o recente 8º Congresso Catarinense e Paranaense de Educação Médica ( 8º CCPEM), realizado em Maringá (PR) nos dias 06 e 07 de maio, os representantes das Escolas que formam o Consórcio NAPISUL II realizaram a sua quarta reunião para definir os detalhes da prova a ser aplicada em 05 de outubro.
Na reunião estiveram presentes representantes das 8 Escolas do Consórcio, UEM, UP, UFSC, UNIVILLE, UNIVALI, UNOCHAPECO, UNESC e UNIPLAC , além do representante do grupo assessor técnico.
A próxima reunião ocorrerá no dia 11/06 no CCS/UFSC em Florianópolis.

domingo, 8 de maio de 2011

SUS no The Lancet


Saúde dos brasileiros é tema de edição especial da revista The Lancet
Lançamento da série composta por seis artigos contará com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha

A ABRASCO estará participando do lançamento de uma série de seis artigos intitulada “A Saúde dos Brasileiros” da revista inglesa The Lancet, representada por seu presidente, Luiz Augusto Facchini, e pela vice-presidente, Lígia Bahia, coautora de um dos artigos. A revista é uma das publicações médicas mais influentes do mundo e a edição especial, coordenada pelo abrasquiano Cesar Victora, pesquisador da UFPel e presidente eleito da Associação Internacional de Epidemiologia, é uma ampla revisão sobre os determinantes e as condições de saúde da população brasileira. O evento é aberto ao público e não haverá inscrição. A solenidade será realizada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Brasília, no dia 9, às 14h, e contará com a presença do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Baseados em uma extensa revisão de documentos existentes, e em análises originais de dados epidemiológicos, uma equipe de 29 especialistas em saúde pública preparou seis artigos científicos que descrevem a história da assistência à saúde no Brasil, com ênfase na implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), assim como a evolução recente dos principais problemas de saúde que afligem nossa população, bem como dos seus principais determinantes e fatores de risco.  Artigos específicos descrevem o desenvolvimento do nosso sistema de saúde, a saúde de mães e crianças; as doenças infecciosas; as doenças crônicas não transmissíveis; e as lesões físicas e violências. Embora importantes problemas de saúde estejam sendo reduzidos, muito ainda precisa ser feito para que todos brasileiros atinjam níveis de saúde compatíveis com aqueles observados em países desenvolvidos.  Na busca de atingir tal objetivo, a série de artigos culmina com um chamado para a ação dirigido a todos os setores da nossa sociedade: governo, trabalhadores de saúde, setor privado, universidades e instituições de ensino e pesquisa e a sociedade civil em geral.
A série completa com os seis artigos e com comentários redigidos pelos editores da revista e por pesquisadores convidados poderá ser acessada a partir de 9 de maio no site da Revista.