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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Saúde Pública no Paraná


INESCO promove apresentação de propostas sobre saúde no Paraná

No último dia 16/08/2014, na programação científica do 2º Congresso Paranaense de Saúde Pública (Curitiba, 14 a 16 de agosto), o INESCO abriu espaço para a apresentação do programa para a saúde dos candidatos a Governador do Paraná nas próximas eleições. 





Dos candidatos regularmente inscritos, compareceram representantes de 4 candidaturas que, durante 10 minutos, puderam apresentar de forma sucinta as suas propostas.




Assim, o INESCO espera estar contribuíndo para o debate de ideias visando o fortalecimento da Saúde Pública como uma política de Estado no Paraná.
 


sexta-feira, 4 de julho de 2014

Estratégia de Saúde da Família


Estratégia saudável

Saúde da Família trouxe avanços, mas precisa de investimentos para melhorar 

Luiz Augusto Facchini

Apesar dos problemas diariamente destacados, o SUS, implantado em 1988, acumula sucessos na universalização do direito constitucional à saúde. As ações ofertadas gratuitamente pelo sistema estão entre as mais abrangentes dentre os países com sistemas públicos, incluindo de vacinas a transplantes. E são favorecidas pela Estratégia de Saúde da Família.

Implantada em 1994, a Saúde da Família oferta ações de promoção da saúde, exames preventivos e cuidados básicos, principalmente em áreas onde reside a população mais pobre. Em julho de 2013, totalizou 34.185 equipes distribuídas em 5.309 (95%) municípios, desde as pequenas localidades do interior até as grandes cidades, atingindo e 108.096.363 pessoas (56% da população brasileira).

A iniciativa tem sido bastante avaliada e os resultados sinalizam uma tendência de melhoria do desempenho do SUS, em praticamente todos os portes de município, à medida que aumenta a cobertura. Além disso, a proporção do gasto municipal não aumentou com o incremento da cobertura, sugerindo a eficiência da estratégia.

Os indicadores e serviços melhoraram significativamente nos últimos 20 anos no Brasil, acompanhando a expansão do SUS e da cobertura de Saúde da Família. Entre 1990 e 2012, a taxa de mortalidade infantil caiu 75%, enquanto a taxa de mortalidade de menores de 5 anos foi reduzida em 77%. Nos últimos cinco anos, as internações hospitalares por diabetes diminuíram 25% e a proporção de crianças menores de 5 anos abaixo do peso caiu 67%. O crescimento da cobertura da Saúde da Família está associado à redução da mortalidade infantil e de internações por condições sensíveis à atenção primária, ao maior acesso a consultas gratuitas e ao atendimento domiciliar, especialmente em populações mais pobres.

Várias ações foram praticamente universalizadas. Mais de 95% das mulheres recebem cuidados pré-natais e a cobertura de vacinas contra difteria, tétano e coqueluche em crianças menores de um 1 ano é superior a 95% na maioria dos municípios. Os cuidados de hipertensão e diabetes e o acesso a medicamentos para essas condições alcançam a grande maioria das pessoas com os agravos.

Ainda assim, persistem problemas de estrutura (prédios, equipamentos, registro eletrônico e acesso a internet) e de organização (coordenação do cuidado multiprofissional, especialmente de problemas crônicos) na Saúde da Família e a qualidade dos cuidados deixa a desejar. Apenas 30% das pessoas com diabetes tiveram seus pés examinados, 46% dos pacientes com pressão alta realizaram eletrocardiograma e 60% das puérperas fizeram revisão pós-parto. Investimentos em infraestrutura, coordenação e qualificação dos cuidados integrais vão ser fundamentais para melhorar não apenas a efetividade, mas também a equidade em saúde, dada sua maior presença em municípios e áreas mais pobres.


* Luiz Augusto Facchini é epidemiologista e conselheiro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sistema Único de Saúde



Cebes - Centro Brasileiro de Estudos de Saúde

Saúde Pública e Saúde Suplementar: desfecho do confronto iniciado na elaboração da Constituição cidadã

Saúde Pública e Saúde Suplementar: desfecho do confronto iniciado na elaboração da Constituição cidadã
Cleber Ferreira

No Capítulo 4 do Estudo da Organização Mundial de Saúde - More health for the money - avalia-se o custo benefício das práticas, públicas ou privadas, dos diferentes sistemas de saúde disponíveis no mundo. Dentre os mitos desvendados, verifica-se que os hospitais privados são mais caros e menos eficientes que os hospitais públicos; que boa parte dos recursos destinados aos sistemas de saúde são desperdiçados por fraude e corrupção; que a importância da regulação, que no Brasil se faz através da ANS e da ANVISA, é fundamental para conter o ímpeto do complexo médico-hospitalar (fármacos e equipamentos), assim como dos atores envolvidos no processo, prestadores, operadoras e seguradoras de planos de saúde - todos orientados pelo lucro.


Além da necessidade de se ter uma política que oriente o sistema para a universalidade e resolutividade já existentes nos princípios do SUS, deve-se estabelecer os limites de atuação do setor privado. A omissão no estabelecimento deste limite é, por si só, uma política privatizante. E é justamente isto que vem acontecendo no Brasil, com uma política permissiva de expansão da Saúde Suplementar que, sem estrutura para atender seus clientes, canabaliza o SUS.


Esta expansão é financiada pelo próprio governo através da restituição do imposto de renda. São recursos volumosos transferidos para a lucratividade das empresas, em detrimento aos investimentos necessários no setor público, excluindo uma melhor remuneração e qualificação de seus recursos humanos; na estagnação no crescimento da rede pública, prejudicando todos os níveis de atenção - da básica, à alta complexidade. Enfim, o crescimento da Saúde Suplementar concorre com o SUS.


O governo é o avalista do crescimento do setor privado, minimizando o "risco do empreendimento" dos investidores, inclusive internacionais, que agora descobriram o mercado da saúde brasileira. O crescimento no número de beneficiários na Saúde Suplementar nos últimos 10 anos é prova disto: multiplicaram-se por 4 o número de beneficiários existentes, fazendo com que grupos de investidores internacionais vislumbrem o Brasil como o país do presente deles. Para a sociedade brasileira vale ainda o velho ditado: Brasil, o país do futuro
(http://www.ans.gov.br/images/stories/Materiais_para_pesquisa/Perfil_setor/Foco/20120816_web_foco_junho_2012.pdf).

O Brasil opta por tratar os dois setores de forma independente. Para a saúde suplementar incentiva-se a expansão. As classes menos abastadas agora sonham com um plano de saúde. Todavia, sem rede suficiente, muitos acabam mesmo no SUS, com ou sem plano.

Com uma política regulatória indutora, centrada principalmente nos planos coletivos por adesão (22% de crescimento desde 2008), legitimou-se os intermediários (administradoras de benefícios) como inéditos players obrigatórios nos contratos, gerando custos adicionais ao sistema; no plano público (SUS) restringe-se o desenvolvimento, expansão e evolução do SUS através da limitação orçamentária. A falta de uma política para a saúde suplementar é uma política alienante, que importa um modelo fracassado e oneroso para o país.

Enquanto o governo Norte Americano luta para se aproximar do nosso SUS, o Brasil assiste passivamente a internacionalização da saúde suplementar brasileira. O sistema de saúde americano é o mais caro do planeta, mas não o mais eficiente, e não é universal. Este é o modelo que mais cresce no Brasil.


O texto da OMS - Mais Saúde pelo Dinheiro - é leitura obrigatória. O Brasil faz há tempos uma importante opção, com impacto para o bolso e para a saúde das gerações futuras.


Cleber Ferreira

Presidente da ASSETANS

Especialista em Regulação

Mestre e Doutor em Odontologia em Saúde Coletiva- UFF