quarta-feira, 25 de agosto de 2010

UNILAB

Lula sanciona Estatuto da Igualdade Racial e lei que cria a Unilab

Ivan Richard - Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça (20/07) o Estatuto da Igualdade Racial e a lei que cria a Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab). Aprovado pelo Congresso no mês passado, após sete anos de tramitação, o estatuto prevê garantias e o estabelecimento de políticas públicas de valorização aos negros.

O Estatuto da Igualdade Racial define ainda uma nova ordem de direitos para os brasileiros negros, que somam cerca de 90 milhões de pessoas. O documento possui 65 artigos e objetiva, segundo a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a correção de desigualdades históricas no que se refere às oportunidades e aos direitos dos descendentes de escravos do país.

O ministro, Eloi Ferreira de Araújo, disse que a sanção do Estatuto da Igualdade Racial “coroa o esforço de muitos e muitos anos”, das comunidades negras no país.

Também sancionada hoje, a Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab) tem o objetivo de promover atividades de cooperação internacional com os países da África por meio de acordos, convênios e programas de cooperação internacional, além de contribuir para a formação acadêmica de estudantes dos países parceiros.

A nova universidade será localizada no município de Redenção (CE), no maciço de Baturité, a 66 quilômetros de Fortaleza. De acordo com a secretaria, a previsão é de que as obras do campus comecem em meados de 2011. As atividades acadêmicas terão início este ano em instalações provisórias em Redenção, em prédios cedidos pela prefeitura local.

A previsão é de que a Unilab atenda a 5 mil estudantes presenciais de graduação, dos quais 50% serão brasileiros e 50% originários de países parceiros.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Bioética

Book Review 
"Animal Models in the Light of Evolution" 
Niall Shanks, Ph.D., and C. Ray Greek, M.D

Lewis Wolpert
Anatomy and Developmental Biology, University College, London, UK
profwolpert@yahoo.com



Book Details
Niall Shanks, C. Ray Greek
Animal Models in the Light of Evolution
Boca Raton: BrownWalker Press; 2009.
443 pages, ISBN-10: 1599425025
ISBN-13: 9781599425023

Animal Models in the Light of Evolution provides persuasive evidence that animal models should be used with great caution when applying the results to human diseases. Mice and other model animals are both similar and different, in their biology, to humans. It is rather technical and not  easy reading.

The aim of this book is to question the value of animal experiments for biomedical research, particularly finding chemical treatments for human diseases. Shanks and Greek raise concerns about predictive animal modelling. They particularly question whether animal experiments can prepare the way for trials of medical treatments in humans.

Arguments from evolution are used to show the fundamental differences between, for example, rats and humans, as the organisms are too complex for information about one to be applied to the other. The authors discuss this complexity in terms of dynamical systems theory and its mathematical basis and question the possible similarity of such systems in different mammals.

Quite small changes can have significant effects. They use such views to raise doubt on just how much genes contribute to an organism’s form and function, but their arguments are themselves complex and hard to follow, and there is no persuasive evidence. It is no mystery that mice can differ significantly from humans in their response to drugs.

Yet it is common for biologists to recognise similarities in the way animals develop, and how they use similar genes and mechanisms. The basic processes in cells are very similar and the problem is to understand just how proteins determine how a cell functions. There is, for example, good reason to believe that the development of limbs in mice, chick, and human are essentially the same. Yet, in support of the author’s case, the effect of thalidomide on human embryos that caused loss of proximal structures does not occur in standard experimental animals. There are differences which are not understood. They rightly point out that identical twins do not always suffer from the same diseases - this only occurs about half the time. Discrepancies can be due to differences in development and the influence of the environment.

Although mice are widely used for the study of cancer, their cancers are mainly sarcomas and leukemias, whereas human tumours are mainly carcinomas. It is particularly striking that smoking does not cause cancer in mice. Leading cancer researcher Robert Weinberg has commented: “The preclinical animal models of human cancer, in large part, stink… Hundreds of millions of dollars are being wasted every year by drug companies using these models.” In vitro cell and tissue cultures have proven to be powerful investigative tools. Human cancer cell lines are a more reliable and much less costly alternative. Nevertheless studies on animals have provided fundamental information on how cancer develops and spreads.

Moreover animal models have been the way to discover many key features relating to human biology. They were used by Harvey to discover the circulation of the blood, and more recently IVF came from animal studies. Robert Koch (1843-1910) established that specific diseases are caused by specific germs. He saw rod-shaped bacteria in the blood of cows that had died from anthrax and guessed that they caused anthrax. When Koch injected mice with this blood, they also developed anthrax. With Pasteur they also identified the germs causing diphtheria, rabies and the plague. This allowed scientists to develop vaccines for animals and people by using weakened germs.

There are many other examples - human health care has benefited hugely from animal experiments. The authors do not give enough credit to these achievements. Recently real evidence of curing Huntington disease has been found by researchers using mice. Animal studies have also led to the development of drugs to treat epilepsy. Many life-saving surgical procedures, including organ transplantation, heart-valve replacement, coronary artery bypass and open-heart surgery, have been developed using animal models first. But key discoveries in such areas as heart disease, cancer, immunology, anesthesia and psychiatry were in fact achieved through clinical research, observation of patients and human autopsy.

There are however many cases where animal models have been unhelpful. The monkey model of polio misled researchers about polio’s mechanism of infection and clinical course, and delayed progress against the disease. Despite their extensive use since the early 1980s, the predictive validity of animal models for HIV infection in humans remains questionable.

The case that Shank and Greek make about animal models is important and persuasive. Their arguments based on evolution contribute very little.

Competing interests

The author declares that he has no competing interests.
 
Author’s contributions
 
The author is solely responsible for this manuscript.
 
Author’s information
 
Lewis Wolpert is Emeritus Professor in the Research Department of Cell and Developmental Biology of University College, London. He originally took a degree in civil engineering and carried out research in soil mechanics, and then changed to cell biology at King's College. He has worked on the mechanics of cytokinesis, morphogenesis of the sea urchin embryo, regeneration in hydra, left right asymmetry, and has focussed on pattern formation in limb development. He was made a Fellow of the Royal Society in 1980 and awarded the CBE in 1990. He was made a Fellow of the Royal Society of Literature in 1999. He has also been involved in interacting with the public in relation to science.

Recomendações para a Atenção Básica à Saúde

Canadian Task Force solicita sugestões de pesquisa

 

 

O "Canadian Task Force on Preventive Health Care", força-tarefa mantida pela Agência Canadense de Saúde Pública, solicita sugestões de pesquisa para a criação de novas recomendações preventivas para a atenção primária.

O Canadian Task Force tem o objetivo de criar e atualizar recomendações baseadas na melhor evidência científica possível para apoiar os profissionais da atenção primária nos cuidados preventivos e rastreamentos.

 

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ENADE 2010

MEC define formato e conteúdos cobrados no Enade 2010; exame terá 40 questões

UOL Educação 
O MEC (Ministério da Educação) publicou diversas portarias sobre as provas do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) 2010 no Diário Oficial da União desta quarta (14). Os textos definem como serão distribuídas as questões das provas e os conteúdos que serão cobrados.
Segundo as portarias, os alunos terão de responder dez questões relacionadas à formação geral. Segundo o texto no Diário Oficial, espera-se que os alunos "evidenciem a compreensão de temas que possam transcender ao seu ambiente próprio de formação e sejam importantes para a  realidade contemporânea. Essa compreensão vincula-se a perspectivas críticas, integradoras e à construção de sínteses contextualizadas". Nessa parte da avaliação, os estudantes terão de responder duas questões discursivas e oitos perguntas de múltipla escolha.
No que se refere à formação específica de cada curso, há um detalhamento dos conteúdos por área de conhecimento. Os graduandos terão de responder 30 questões, sendo três delas discursivas e as outras 27 serão de múltipla escolha.
Confira o conteúdo das portarias no Diário Oficial da União, clicando aqui.  

Enade 2010

O exame será realizado no dia 21 de novembro, às 13h. Inicialmente, a prova estava prevista para 7 de novembro; a data foi alterada para não coincidir com a aplicação do Enem 2010, que será feita nos dias 6 e 7 do mesmo mês.
Confira os nomes dos bacharelados e cursos tecnológicos que serão avaliados neste ano:
Bacharelados avaliados:
  • Agronomia;
  • Biomedicina;
  • Educação física;
  • Enfermagem;
  • Farmácia;
  • Fisioterapia;
  • Fonoaudiologia;
  • Medicina;
  • Medicina veterinária;
  • Nutrição;
  • Odontologia;
  • Serviço social;
  • Terapia ocupacional;
  • Zootecnia;
Cursos tecnológicos avaliados:
  • Agroindústria;
  • Agronegócios;
  • Gestão hospitalar;
  • Gestão ambiental;
  • Radiologia.

Quem deve fazer

Deverão fazer a avaliação estudantes do primeiro e do último ano de graduação. No bacharelado, são considerados do primeiro ano aqueles que, até o dia 2 de agosto, tiverem concluído entre 7% e 22% da carga horária mínima do currículo do curso. Já estudantes considerados do último ano são aqueles que, até 2 de agosto, tiverem concluído pelo menos 80% da carga horária mínima do currículo ou que tenham condições acadêmicas para conclusão do curso em 2010.
Para cursos de tecnologia com carga horária mínima de até 2 mil horas, serão considerados estudantes do final do primeiro ano aqueles que, até 2 de agosto, tiverem concluído entre 7% e 25% da graduação. Serão considerados do último ano aqueles que, até 2 de agosto, tiverem concluído 75% do curso.
Serão dispensados do Enade estudantes que colarem grau até 31 de agosto e que estiverem cursando atividades curriculares fora do Brasil, em instituição conveniada com a faculdade do estudante.
As instituições de ensino superior são responsáveis pela inscrição de todos os estudantes habilitados ao Enade 2010, no período de 2 a 31 de agosto, no site do Enade. A lista dos estudantes que deverão fazer o exame será divulgada em 20 de setembro. Os locais de prova devem ser publicados até 22 de outubro.
Estudantes de educação a distância poderão fazer o Enade no município em que a instituição de ensino superior esteja credenciada para EAD e tenha pólo de apoio presencial que conste, até 16 de abril, do Siead/MEC (Sistema de Consulta de Instituições Credenciadas para a Educação a Distância e Pólos de Apoio Presencial).

Redes Sociais

Na trilha do educando
Sérgio Rizzo - Revista Educação - Edição 159



Até poucos anos atrás, a relação cotidiana entre professores e alunos durante os períodos letivos costumava ter prazo para acabar: quando tocava o sinal que encerrava a última aula. Daí até o dia seguinte, desapareciam momentaneamente da vida alheia. Nas férias, cada um seguia para o seu lado - e, exceto nos casos em que eram moradores do mesmo bairro e poderiam se encontrar casualmente na rua, uns só receberiam notícias dos outros quando retornassem ao convívio na escola. Situação parecida regia o convívio diário entre os próprios professores, que também se despediam dos colegas na última reunião do semestre e, salvo as exceções em que havia amizade consolidada ou parentesco, só os reencontrariam na primeira reunião do semestre seguinte.
Um dia, alunos e professores deixavam a escola. A partir de então, transformavam-se em lembranças, que ficavam cada vez mais vagas com o tempo. Anos depois, alguns retornavam para matar saudades e contavam um pouco do que tinham feito da vida. Hora de festa, mas só por dez ou 15 minutos, pois a próxima turma aguardava o início da aula. Em seguida, os agora visitantes desapareciam novamente, voltando a se esconder por trás dos pontos de interrogação que, em muitos casos, já os acompanhavam quando estavam ali, mesmo tão perto, mas no fundo tão longe. Onde vivem? Como se divertem? No que acreditam e o que mais desejam? Como são as suas famílias? Em quem planejam votar nas próximas eleições? O que pensam da escola e dos professores?
Nenhuma das situações descritas acima parece caber em escolas - de ensino fundamental, médio ou superior - do século 21. Menos por conta do que ocorre dentro delas, e muito mais em virtude das transformações provocadas por um braço imenso da "revolução digital", que tem na internet seu maior ícone: as redes sociais. Não se trata, evidentemente, de uma invenção recente, embora o nome soe para muitos como algo contemporâneo. Elas existem desde que um primeiro agrupamento de seres humanos decidiu manter contato regular, por motivos pessoais ou profissionais, para troca de informações, experiências, causos ou piadas. Praças, clubes, igrejas, bares e restaurantes sediavam os encontros dessas redes - cujos membros dispunham, a distância, dos correios (e, depois, do telefone) para mantê-las ativas.
Novas interações
Com a popularização da internet e dos novos recursos de telefonia móvel, essas redes sociais encontraram um facilitador até então inédito. Sua disseminação entre as novas gerações, familiarizadas desde a infância com o uso de computadores e de telefones celulares, estabeleceu um cenário radicalmente distinto para a interação social. Mesmo a distância, é possível se manter conectado a alguém. Em diversas circunstâncias, a própria distância tende a aumentar o grau de conexão. No âmbito da escola, essas transformações derrubaram simbolicamente paredes e muros. Não é mais preciso que todos estejam juntos na sala de aula ou no espaço escolar para que haja interação.
Mais do que isso: novas categorias de trocas foram instauradas por essas redes. Já faz algum tempo que, para buscar respostas às perguntas do segundo parágrafo desta reportagem, e para inúmeras outras, inclusive algumas que você nem mesmo havia formulado, basta ligar um aparelho com acesso à internet e saber como navegar por ela. "Seria interessante que os educadores ficassem atentos a alguns dados", alerta a pesquisadora Sonia Bertocchi, gestora da comunidade virtual Minha Terra. "Redes sociais, como o Orkut e o Facebook, já são mais utilizadas do que e-mail. Até 2009, o Orkut foi a rede social dominante no Brasil, alcançando 21 milhões de visitantes únicos em setembro de 2008. Naquele mês, cada um deles passou em média 496 minutos no site e fez 28 visitas."
Esse cenário, no entanto, se altera com velocidade impressionante. Em abril deste ano, um estudo da StatCounter - que monitora o uso da internet - colocou o Orkut em quinto lugar entre usuários brasileiros, com apenas 1,67% do total do tráfego. Na primeira posição, veio o Twitter, com 55,84%, seguido pelo Facebook, com 20,14%, e pelo You Tube, com 16,27%. O ranking inclui ainda sites menos conhecidos, como o StumbleUpon, com 3,19%, o Delicious, com 0,69%, e o Digg, com 0,34%. As demais redes sociais respondiam por 2,79% do tráfego brasileiro. Nesse mesmo estudo, os números globais traziam o Facebook na liderança, com 55,13%, seguido por StumbleUpon, com 21,83%, e pelo Twitter, com 7,15%.
Sonia considera também que educadores deveriam levar em consideração "a demografia das redes sociais no que se refere ao uso pelos jovens". Pesquisa apresentada nos EUA em abril deste ano pelo site Flowtown (1) aponta para a predominância do público adolescente em algumas redes, como o My Space, em que a faixa de 0 a 17 anos representa o maior contingente. No Facebook, quase um terço dos usuários tem até 24 anos. Pouco menos de metade dos que frequentam o Reddit e o StumbleUpon
não completaram 35 anos. Em quase todas as redes pesquisadas, o público com menos de 45 anos é
amplamente majoritário.
"Os professores não podem, ou não deveriam, ignorar esses dados nem essas ferramentas", observa Sonia. "Seria interessante que olhassem para as redes sociais como ambientes virtuais que oferecem muitas formas de interação com diversas pessoas, que estimulam o contato com a diversidade sociocultural, criam condições para se fazer uma rede de amigos e para se manter informado pelo assunto de seu interesse." Um passo seguinte, recomenda, "seria os professores se apropriarem dos recursos oferecidos pelas redes sociais, visualizar o que trazem de possibilidades para a aprendizagem de seus alunos, e incorporá-los ao currículo de maneira inovadora".

A pesquisadora Michele Schmitz, do Terraforum, acredita que nos últimos anos houve "avanços quanto à utilização de redes sociais por professores e gestores educacionais", mas que se trata de algo "ainda muito ínfimo". "Vejo que muitos educadores ainda não utilizam em larga escala as redes sociais e outras possibilidades da web 2.0 devido a vários fatores, mas o principal é a falta de recursos de infraestrutura tecnológica, pois ainda não temos computadores e internet de banda larga com qualidade em grande parte das escolas públicas do país", afirma. "Vejo na falta de acesso adequado um grande limitador para os professores conhecerem e utilizarem as possibilidades das redes sociais para o processo de ensino e aprendizagem."
Michele prefere não encarar os professores de acordo com juízos que os consideram "resistentes a inovações tecnológicas". "O professor é um profissional que precisa reconhecer as possibilidades e o valor agregado ao processo de ensino e aprendizagem que as redes sociais, comunidades virtuais, blogs e microblogs propiciam", pondera. "Não basta ser 'novo', ele precisa vislumbrar o que esse 'novo' traz de benefício para sua prática pedagógica." Sua experiência aponta para "uma gama de professores e gestores educacionais utilizando cada vez mais as redes sociais". Esses já teriam percebido "os benefícios em relação a estar mais atualizado e, principalmente, trocando experiências com outros educadores".
Novos usos
Ver "profissionais do conhecimento interagindo em redes sociais" corresponde, de acordo com Michele, a uma experiência "fascinante". "Em um projeto que desenvolvemos recentemente, utilizando redes sociais, ouvi de uma diretora de escola de ensino fundamental que atua há mais de 10 anos na educação pública a expressão 'é como se eu tivesse nascido novamente'", lembra. "Na ocasião, a diretora teve oportunidade de vislumbrar os benefícios da interação em rede. Não é mais um abrir janelas para ver o mundo e, sim, abrir janelas para interagir com o mundo. Isso nos faz concluir o quanto avançaremos em educação com o uso adequado das possibilidades das redes sociais."
Portfólio digital
O entusiasmo de Gladys Gonçalves ilustra essa tomada de consciência. Professora na rede municipal de São Paulo e diretora na rede estadual, ela pensa que a internet promoveu uma "revolução". "Podemos dizer que há o mundo antes dela e o mundo depois dela", avalia. "Ela revolucionou os costumes e, principalmente, as relações sociais." O contraste entre "próximo" e "distante", na sua opinião, deixou de existir. "O que acontece lá se integrou com o que acontece cá. Hoje, o aluno é mais ligado ao que ocorre no mundo e criou um universo próprio no seu mundo virtual. No dia a dia das minhas aulas aprendo muito com eles. Parece que estão mais conectados do que eu, embora seja uma 'viciada'."
Como a internet representaria "o mundo das possibilidades", Gladys acredita que "nós professores temos de correr atrás", mas lamenta que esse comportamento ainda seja o de uma minoria. "Muitos colegas desconhecem essa realidade, muitos ainda nem usam o e-mail, ou usam pouco. A internet é a porta do infinito, do ilimitado, uma ferramenta a mais, o amanhã, mas poucos a descobriram." Natural que, entusiasmada dessa forma com os recursos à disposição, tenha desenvolvido com seus alunos projetos ligados a redes sociais. Em 2009, quando assumiu o cargo de professora-orientadora de Informática Educativa na Emef Guimarães Rosa, criou um blog da escola (2).

Nele, procurou organizar posts sobre as atividades da escola, com destaque para os trabalhos dos alunos em sua disciplina. O resultado, na sua definição, é "uma espécie de portfólio digital" - objeto de reportagens do portal da Secretaria Municipal de Educação e do Diário Oficial do Município, além de ter sido visitado pelo secretário municipal, que o citou em seu blog. Gladys mantém perfis no Twitter, que visita diariamente, e no Orkut, onde diz ter "muitos amigos pessoais e de trabalho, assim como alunos e familiares", e que usa também para organizar "fotos de momentos da minha vida".
"Sou seguidora de diversos blogs e procuro acompanhar tudo sobre educação e informática educativa", acrescenta. Paradoxo curioso, mas revelador de como o assunto é tratado em diversas redes de ensino: na escola em que Gladys implantou o blog, o acesso ao Orkut - a rede social "mais conhecida e usada pelos alunos", de acordo com sua avaliação - é bloqueado. "Os alunos adoram o Orkut e o valorizam demais, como se fosse a coisa mais importante da internet, e por aí eles se relacionam bastante", afirma. "Na escola, o único momento de contato dos alunos com a internet é na sala de informática, uma vez por semana. E ainda trabalhamos com equipamentos antigos."
A geração de professores integrada desde a adolescência às redes sociais tem em Monique Buzatto, hoje com 22 anos, uma representante bem característica. "A primeira rede social que comecei a usar foi o Orkut, em 2004", lembra. "Estava no ensino médio, tinha 16 ou 17 anos, e uma amiga mandou um convite (ainda tinha isso!) para que eu fizesse meu perfil. Só usávamos para trocar aquelas mensagens super-relevantes que adolescentes trocam, sabe? (risos) Quando entrei na faculdade, em 2006, comecei a participar dos fóruns de discussão de algumas comunidades, principalmente as sobre literatura."
Monique começou a ter alunos como amigos no Orkut em 2007, quando dava aulas de inglês para adolescentes em uma escola de idiomas. "O objetivo era que eles me mandassem as lições de casa por 'scrap', já que nunca as faziam no livro e eu via que eles estavam sempre online", explica. "A escola em que eu trabalhava tinha o lab, onde os alunos podiam acessar a internet antes da aula. Eles ficavam sempre no Orkut, então tive a ideia de aproveitar algo de que eles gostavam e usar aquilo a meu favor." Curiosamente, o comportamento dos colegas professores que se tornavam amigos na rede era (e continua sendo) muito diferente.
"Os colegas professores me adicionavam, mas nunca realmente trocávamos mensagens", afirma. "Tenho bem mais contato com alunos do que com colegas de trabalho nas redes sociais. Acredito que as comunidades virtuais ajudam, sim, a entender melhor os alunos. Dá para saber os assuntos que eles comentam e seus interesses, como as bandas preferidas, os programas de TV, os livros que leem, se gostam ou não do Crepúsculo, do Justin Bieber, essas coisas." Monique recorda, em defesa da presença nas redes sociais, que "na faculdade os professores reforçavam a importância de contextualizar qualquer coisa que fôssemos ensinar e também a valorizar o conhecimento de mundo dos alunos, partindo disso para chegar onde gostaríamos".
Do cotidiano à sala de aula
Em outras palavras, "preparar uma aula que fosse 'a cara' do aluno". No primeiro semestre deste ano, Monique teve apenas alunos adultos, com pelo menos 30 anos, que usam o Orkut, o Facebook e o Twitter. Como o principal objetivo é "que os alunos falem inglês a maior parte do tempo", ela se comunica com eles em inglês mesmo fora da aula, graças às redes sociais. "Comentamos as fotos um do outro no Facebook, fazemos piadinhas no Twitter", exemplifica. "Às vezes eu posto algum link de um vídeo em inglês para eles se divertirem. Mas, principalmente, eu vejo os assuntos de que eles falam e tento levar isso para a sala de aula, usando como ponto de partida para chegar na matéria que preciso ensinar."
A professora Claudia Cristina Vieira Valério, que leciona nas redes estadual e municipal de São Paulo desde 1992, considera também que "a sala de aula está se completando com o espaço virtual". "Hoje os alunos se relacionam com seus professores de maneira muito mais próxima através das redes", afirma. "É através delas que eles conhecem o modo de vida de seu professor e até recebem orientações de atividades a serem realizadas e entregues. Postam seus trabalhos, expõem suas opiniões." Na Emef Franklin Augusto de Moura Campos, onde trabalha desde 2009 como orientadora de Informática Educativa, também coordenou a criação de um blog (3).
Seu objetivo era "a troca de experiências entre professores, alunos e outras escolas, visto que a minha unidade ainda não tinha esse meio de comunicação". Participaram do processo alunos-monitores que formam a "Equipe Super@ção" e ajudam na alimentação do espaço virtual com matérias e imagens. "O que hoje me surpreende é o envolvimento da escola com o blog", comemora Claudia. "Ele avançou de tal maneira que quase não damos conta de sua alimentação pela quantidade de materiais que chegam às nossas mãos. Temos de usar outros canais para apresentação de nossas atividades, como o Ning e o Educarede."
Além da aplicação profissional, Claudia utiliza redes sociais "para ter contato com familiares distantes, amigos, colegas de trabalho, alunos e até mesmo com superiores, a fim de receber informações e orientações diversas". Diversão também integra o pacote. "Faço uso das redes de maneira prazerosa e profissional visando conhecer pessoas e suas atividades, e dividir conhecimento." Na sua avaliação, os educadores já não enxergam as redes sociais com mistério ou preconceito. "Muitos já dividem com seus alunos divertimento, conhecimentos e informações", diz. "Há, de verdade, uma integração entre educação e mundo virtual."

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Médicos pela Melhoria da Saúde no Brasil



Médicos publicam Manifesto à Nação onde exigem melhora da saúde brasileira
Os médicos do todo o país cobram respostas dos gestores para problemas estruturais do Sistema Único de Saúde (SUS) e clamam por urgentes investimentos públicos em todos os níveis de assistência (atenção básica, média e alta complexidade) e prevenção no SUS. Este e outras manifestações foram publicadas em Manifesto dos Médicos à Nação, divulgado nesta segunda-feira (2).
O documento traz propostas de soluções aos problemas que comprometem os rumos da saúde e da Medicina, contribuindo para a redução de desigualdades, a promoção do acesso universal aos serviços públicos e para o estabelecimento de condições dignas de trabalho para os médicos e de saúde à população. O texto será encaminhado aos representantes dos Três Poderes e aos principais candidatos à Presidência da República.
A luta pela regulamentação da Emenda Constitucional 29 continua sendo uma das prioridades para o movimento médico em nível nacional. A proposta é importante por determinar parâmetros adequados ao financiamento do SUS.
Como parte de uma política de interiorização do profissional, uma das propostas defendidas é a criação da carreira de Estado do médico. Para as entidades, a carreira seria a garantia para melhorar o acesso da população aos atendimentos médicos, especialmente no interior e em zonas urbanas de difícil provimento.
Outra preocupação das entidades é quanto ao futuro e a qualidade do exercício da Medicina. É preciso aprofundar as medidas para coibir a abertura indiscriminada de novos cursos, sem condições de funcionamento, colocando a saúde da população em risco.
O Manifesto é uma síntese dos debates do XII Encontro Nacional das Entidades Médicas (ENEM), realizado entre 28 e 30 de julho, em Brasília (DF), onde participaram 700 lideranças das entidades médicas – Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e Federação Nacional dos Médicos (FENAM).

MANIFESTO DOS MÉDICOS À NAÇÃO
Nós, médicos, representados no XII Encontro Nacional de Entidades Médicas (ENEM), de 28 a 30 de julho de 2010, em Brasília, reiteramos nosso compromisso ético com a população brasileira. Neste ano, no qual o futuro do país será decidido pelo voto, apresentamos à nação e aos candidatos às próximas eleições nossa pauta de reivindicações, que necessita ser cumprida urgentemente, para não agravar ainda mais a situação que já atinge setores importantes da assistência em saúde. Esperamos respostas e soluções aos problemas que comprometem os rumos da saúde e da Medicina, contribuindo assim, para a redução de desigualdades, para a promoção do acesso universal aos serviços públicos e para o estabelecimento de condições dignas de trabalho para os médicos e de saúde à população, para que este seja realmente um país de todos.
1. É imperioso garantir a aprovação imediata da regulamentação da Emenda Constitucional 29, que vincula recursos nas três esferas de gestão e define o que são gastos em saúde. Esse adiamento causa danos ao Sistema Único de Saúde (SUS) e compromete sua sobrevivência.
2. O Governo Federal deve assegurar que os avanços anunciados pela área econômica tenham repercussão direta no reforço das políticas sociais, particularmente na área da saúde, que sofre com a falta crônica de recursos, gestão não profissionalizada e precarização dos recursos humanos.
3. São urgentes os investimentos públicos em todos os níveis de assistência (atenção básica, média e alta complexidade) e prevenção no SUS. O país precisa acabar com as filas de espera por consultas, exames e cirurgias, com o sucateamento dos hospitais e o estrangulamento das urgências e emergências, além de redirecionar a formação médica de acordo com as necessidades brasileiras.
4. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) precisa assumir seu papel legítimo de espaço de regulação entre empresas, profissionais e a população para evitar distorções que penalizam, sobretudo, o paciente. A defasagem nos honorários, as restrições de atendimento, os descredenciamentos unilaterais, os “pacotes” com valores prefixados e a baixa remuneração trazem insegurança e desqualificam o atendimento.
5. O papel do médico dentro do SUS deve ser repensado a partir do estabelecimento de políticas de recursos humanos que garantam condições de trabalho, educação continuada e remuneração adequada.
6. A proposta de criação da Carreira de Estado do Médico deve ser implementada, como parte de uma necessária política pública de saúde, para melhorar o acesso da população aos atendimentos médicos, especialmente no interior e em zonas urbanas de difícil provimento. No Brasil, não há falta de médicos, mas concentração de profissionais pela ausência de políticas – como esta – que estimulem a fixação nos vazios assistenciais, garantindo a equidade no cuidado de Norte a Sul.
7. A qualificação da assistência pelo resgate da valorização dos médicos deve permear outras ações da gestão nas esferas pública e privada. Tal cuidado visa eliminar distorções, como contratos precários, inexistência de vínculos, sobrecarga de trabalho e ausência de estrutura mínima para oferecer o atendimento ao qual o cidadão merece e tem direito.
8. Atentos ao futuro e à qualidade do exercício da Medicina, exigimos aprofundar as medidas para coibir a abertura indiscriminada de novos cursos, sem condições de funcionamento, que colocam a saúde da população em risco. De forma complementar, é preciso assegurar que a revalidação de diplomas obtidos no exterior seja idônea e sem favorecimentos, assim como oferecer a todos os egressos de escolas brasileiras vagas em Residência Médica, qualificadas pela Comissão Nacional de Residência Medica (CNMR), entidades médicas e sociedades de especialidade.
9. Num país de extensões continentais, torna-se imperativo trabalhar pela elaboração de políticas e programas de saúde que contemplem as diversidades regionais, sociais, étnicas e de gênero, entre outras, garantindo a todos os brasileiros acesso universal, integral e equânime à assistência, embasados na eficiência e na eficácia dos serviços oferecidos, convergindo em definições claras de políticas de Estado para a saúde.
Preocupados com o contexto da Saúde no Brasil e com o descumprimento de suas diretrizes e princípios constitucionais, nós, médicos, alertamos aos governos sobre seus compromissos com a saúde do povo brasileiro.

ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA

FEDERACÃO NACIONAL DOS MÉDICOS

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Zig-ZAids

Jogo sobre Aids tem nova versão

Jogo sobre Aids tem nova versão


Agência FAPESP – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou uma versão atualizada do jogo digital Zig-Zaids, cujo objetivo é fornecer informações a jovens sobre o vírus da Aids e doenças sexualmente transmissíveis. O jogo pode ser baixado gratuitamente pela internet.
Desenvolvido pelo Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz, o jogo é indicado para maiores de 12 anos e pode ser utilizado em escolas, no ambiente familiar, em espaços não formais de ensino, nos serviços de saúde e em espaços de lazer.
Segundo a Fiocruz, o conteúdo da nova versão é resultado de um conjunto de análises críticas sobre as limitações das ações restritas à informação biomédica sobre Aids e avaliações sobre o alcance e adequação do material.
O processo de revisão incluiu avaliação em escolas da rede pública de ensino do Estado do Rio de Janeiro e parecer do Ministério da Saúde. Na nova edição há mais informações sobre diagnóstico, dados epidemiológicos e direitos sexuais e reprodutivos de portadores de HIV.
A Fiocruz desenvolve alguns jogos educativos voltados para crianças e adolescentes, como o Jogo da Onda, que procura esclarecer dúvidas e promover reflexões sobre a prevenção da Aids, e o Trilhas, que realiza um passeio cultural e científico pelo Estado do Rio de Janeiro, além de um CD interativo sobre dengue.
A entidade faz doação de cópias do Zig-Zaids para instituições públicas e órgãos da sociedade civil mediante o recebimento de solicitação pelo e-mail zigzaids@ioc.fiocruz.br ou por carta encaminhada à: Fundação Oswaldo Cruz, Pavilhão Lauro Travassos LEAS, sala 22, Avenida Brasil 4.365, 21045-900, Rio de Janeiro - RJ.
Para fazer download do jogo acesse a página: www.fiocruz.br/ioc/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=44

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Educação Permanente em Saúde Mental

Mais atenção à vida


Mais atenção à vida Com mais sensibilização na sociedade, educação permanente de profissionais de saúde e aplicação de programas eficazes o número de suicídios no Brasil pode ser reduzido, afirma pesquisador



Fabio Reynol - Agência FAPESP

Se a cada dia cinco baleias aparecessem mortas nas praias, certamente o fato mereceria as capas dos jornais. De acordo com o Sistema de Informações de Mortalidade, do Ministério da Saúde, 9.090 pessoas chegaram ao suicídio no Brasil em 2008, o que corresponde a 25 mortes diárias, mas pouca atenção foi dada ao assunto.
A comparação com as baleias – de uma campanha de prevenção de suicídio australiana, que em vez de “save the whales”, usou o trocadilho “save the males”, referindo-se aos cinco homens que, diariamente, matam-se naquele país – e a crítica ao ofuscamento do suicídio são de Neury José Botega, professor titular do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A falta de atenção ao assunto, somada a preconceitos e a ideias errôneas, tem agravado a situação que já se apresenta como um problema de saúde pública, de acordo com o pesquisador.
Atitudes simples como maior atenção durante tratamentos hospitalares podem salvar centenas de vidas, segundo Botega. “Os números são apenas a ponta do iceberg, pois, para cada suicídio, estima-se que haja pelo menos 20 tentativas. E, para cada caso de tentativa que atendemos no hospital, outras cinco pessoas, na comunidade, estão planejando e 17 estão pensando seriamente em pôr fim à vida”, disse o pesquisador à Agência FAPESP.
Ao visitar 600 residências distribuídas em estratos sociais diversos, o grupo de pesquisa de Botega descobriu que o problema é mais amplo do que se imaginava. O estudo levantou que quase um quinto das pessoas visitadas já pensou seriamente em suicídio ao longo da vida.
Para os pesquisadores, essa proporção deve se repetir em outros grandes centros. São números que não aparecem nos dados oficiais. “Basta dizer que apenas uma em cada três tentativas de suicídio recebe atendimento médico”, disse.
No artigo, os pesquisadores alertam que a escassez de dados é um agravante, uma vez que implica menor conscientização dos clínicos e dos gestores de saúde pública em relação ao impacto do comportamento suicida nos serviços da área.
Em 97% dos casos, segundo vários estudos internacionais, o suicídio é um marcador de sofrimento psíquico ou de transtornos psiquiátricos. Em ambos são necessários profissionais de saúde treinados para detectar e tratar adequadamente o paciente durante uma passagem hospitalar, mesmo que essa se efetue por outras razões, como alguém que foi internado por acidente de trânsito, por exemplo.
Segundo trabalhos realizados pelo grupo de Botega, gravidez na adolescência é um dos casos que exigem maior atenção de médicos e enfermeiros, uma vez que um estudo apontou que adolescentes grávidas possuem três vezes mais chances de tentar suicídio. Outros estudos demonstraram que os riscos também são maiores com pacientes que sofrem de epilepsia e com pessoas que dependem do álcool. O que não quer dizer que outros casos também não devam ser considerados, segundo os pesquisadores.
O professor da Unicamp se baseia em dados de estudos que tem coordenado, como “Epilepsia e comportamento suicida na comunidade: um estudo de caso-controle”, realizado de 2006 a 2008, e “Estudos de intervenção breve oportuna no hospital geral”, realizado entre 2007 e 2009, ambos com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.
Investimentos em prevenção
Botega conta que o receio de induzir ao suicídio, ou de ter de carregar uma grande responsabilidade, inibe a maioria dos profissionais de saúde de perguntar ao paciente se ele já pensou no assunto. “É uma ideia errônea. Perguntar sobre suicídio é fundamental para o encaminhamento a um tratamento adequado”, disse.
Além do treinamento adequado dos profissionais de saúde, Botega defende programas simples que podem evitar mortes. O acompanhamento telefônico de pacientes é um deles e sua eficácia foi comprovada no “Estudo multicêntrico de intervenção no comportamento suicida (Supre-Miss), da Organização Mundial da Saúde (OMS)”, realizado entre 2003 e 2005, também com o apoio da FAPESP.
Inserido em um estudo internacional da OMS, a equipe de Botega conseguiu reduzir em dez vezes a taxa de suicídio entre pessoas que já haviam tentado se matar.
O tratamento consistiu apenas em acompanhar os pacientes por meio de ligações telefônicas periódicas. A experiência foi destacada pela revista Pesquisa FAPESP.
Informar e sensibilizar a sociedade sobre o problema é outra atitude fundamental, de acordo com Botega. “Tirar o suicídio da penumbra é fundamental, é preciso uma comunicação ampla e responsável sobre o assunto”, afirmou.
Com esse objetivo, a equipe de pesquisa da Unicamp publica materiais de divulgação, como folhetos e cartazes, dirigidos tanto a especialistas como ao público em geral, procurando desmistificar o assunto e abordá-lo de maneira aberta.
Segundo Botega, o suicídio não recebe a devida importância no Brasil, mas ocupa o terceiro lugar entre os óbitos não naturais, ficando atrás dos acidentes de trânsito (com quatro vezes mais mortes) e dos homicídios (seis vezes mais).
O Brasil apresenta menos de 6,5 suicídios para cada 100 mil habitantes, o que o deixa entre os países com as menores taxas mundiais. Na maioria dos países europeus, por exemplo, esse número é de mais de 13 mortes para o mesmo número de habitantes.
“O que não quer dizer que a quantidade desse tipo de morte seja pequena por aqui”, disse Botega, “por sermos um país populoso e, também, porque as taxas de suicídio, em algumas regiões e grupos populacionais, se aproximam das mais elevadas do planeta”.
Educação permanente de profissionais de saúde, sensibilização e informação da sociedade e aplicação de programas eficazes de prevenção ao suicídio baseados em estudos científicos são, segundo o pesquisador, a chave para salvar muitas vidas no Brasil.
 

domingo, 25 de julho de 2010

Desenvolvimento da Preceptoria


How to be an Efficient
and Effective Preceptor
Frances E. Biagioli, MD; Kathryn G. Chappelle, MA
Family Practice Management. 2010;17(3):18-21. © 2010 
American Academy of  Family Physicians

Abstract and Introduction

Abstract

It is possible to do the important work of precepting students and still get home in time for dinner.

Introduction

"Students slow me down" and "Students take too much time" are common complaints of precepting physicians, and yet some physicians have endless energy for teaching and are able to maintain their clinical productivity. What do these doctors do differently?
We held five professional seminars in 2007 and 2008 to talk with experienced physicians from health education programs across the United States about their precepting experiences. We collected and analyzed the suggestions that emerged in search of common themes. Doing so made it clear that physicians should focus on six areas to be efficient and effective preceptors:

1. Establish a Teaching Environment

A positive teaching experience begins with an appropriate match between student and preceptor. Make sure the educational programs you work with know your personality and work-style preferences. The programs should also know the makeup of your practice, such as patient population, and the learning experiences you can offer students, such as different types of procedures.
Once the program has matched you with a student, you and your staff will need to address a number of logistical issues.
First, your scheduling template may need to be revised to maximize clinical efficiency and quality teaching. There are several ways you can do this:
  • Book urgent care visits and complex visits simultaneously. You can conduct one or more brief visits while the student sees a patient with more complex problems.
  • Block 15 minutes of your schedule in the morning and afternoon to allow time for student review and teaching.
  • Double-book your first appointment and block your last appointment. This allows you and your student to start seeing patients at the same time, and it provides catch-up time at the end of the day.
At the beginning of each day the student is in the office, review the schedule and consider which patients you would like to include in the student's schedule. Have the staff member rooming the patient ask whether it is OK if a student conducts the visit. Use positive phrasing like, "Your physician is teaching a student. Is it OK if the student sees you first?"
These selections should be based on patient and visit type and the student's educational needs. Some patients take forever even for experienced physicians, so they may not be appropriate for beginning students, but patients who need or desire more in-depth interactions may be ideal for students. Students can help set up appointments for these patients, arrange needed ancillary services and explain their test results.
When possible, plan any follow-up appointments with these patients for a day when the student is in the office. This continuity gives students the opportunity to discover whether treatment plans they helped develop are working. In addition, some patients may appreciate the extra attention and enjoy seeing the student's educational growth.
When selecting patients, also consider what the student is currently learning. Ask, "What are you studying now? We'll try to find a patient with that system issue."
Ultimately it is important for both preceptor and student to be flexible. Occasionally you may need to ask the student to do other work while you see several patients in a row, because of the nature of the visits or because you need to catch up.
It is also important to provide students with a work-space that includes a desk and a place for personal items. Prior to the student's arrival, arrange for the student to have a computer workstation and access to patient records, including log-in information for electronic health records as needed.
Ask a staff member to orient the student on his or her first day. The student will need to know where to park and be introduced to the staff and the office space. Orientation should include time to attend to administrative details, such as computer training and obtaining a security badge.

2. Communicate with Everyone Involved

Communication is key to ensuring a successful teaching arrangement. It is essential that you express your expectations and goals to students, their educational program and your fellow clinicians and staff members. Prior to the student's arrival at your practice, the program should describe the student's skill level and explain what it expects the student to learn from the experience in your office.
Students and preceptors should communicate early and frequently regarding expectations, goals, and learning and teaching styles. This saves time and prevents frustration. Soon after the beginning of their rotations, start talking with students about their progress and the extent to which they are meeting their educational goals. Have students keep track of what types of patients they have seen and which procedures and clinical activities they have seen and done, such as taking a patient's history and providing patient education. Ask, "Is there any type of patient we need to have you work with today?" This helps students focus on their goals and helps you focus on meeting their needs. Ask questions that elicit reflection, such as, "What did you learn today?" These discussions could direct future sessions or independent research topics.
Feedback is necessary for evaluation, and it can prevent repetitive, time-wasting mistakes. Be sure to provide students with continuous feedback, and ask them about their experience with questions such as, "Is there a different way that I could teach to help your education?" If you have any concerns about a student's progress or ability, contact the student's educational program immediately.
Because students become part of the clinical team, it is essential that preceptors and students communicate with fellow clinicians and staff members. Preceptors should begin with the attitude that students add value to the practice. This approach will then likely spread to physician partners and clinic staff, and in such an environment, students will be more likely to make significant contributions. Ensuring buy-in from partners and clinic staff will save time for everyone by preventing misunderstandings and duplication of effort. Supportive colleagues can also enhance the student's educational experience. Be sure to let your colleagues know if the student needs experience with certain procedures or diseases. You could say something like, "The student needs more work with diabetic patients. Could you let us know if you see any opportunities for that today?"

3. Tailor Your Teaching to the Student's Needs

It is important to adapt your teaching to each student's educational needs, goals and learning style. Doing this boosts the quality of the student's education and helps you to remain efficient. You can assess the student's strengths and weaknesses early on by observing the student's interactions with patients, then adjust your approach as needed based on your findings.
Your teaching method may also be influenced by how much time and how many exam rooms you have. Here are some suggestions for ways the two of you might share patient visits and structure learning opportunities:
  • Observe the student for an entire patient visit. Create your note while the student takes the history, and ask additional questions or assist with the exam as necessary.
  • See the patient after the student presents the history to you but before the exam is completed. Assist the student with the exam or demonstrate. Medicare's billing and coding rules permit students to document the review of systems and past, family and social history. A student-documented history of the present illness must be "verified and redocumented" by the preceptor, according to the Centers for Medicare & Medicaid Services' Claims Processing Manual, Chapter 12, Section 100 (see "Medicare's Rules for Student Documentation").
  • Take the history while the student listens, and have the student perform the exam while you observe. Then repeat the exam and redocument it as required by the Medicare guidelines.
  • Have the student observe an entire encounter between you and a patient. This is especially beneficial if you have the opportunity to demonstrate specific interviewing or exam techniques.
  • Use the classic teaching method if time allows. Have the student see the patient, leave the exam room and present to you, then return together to see the patient. Alternatively, you might have the student present to you in front of the patient. In either case, be sure to give the student time to process the patient's information before presenting. This method can be time-consuming, but it allows the student autonomy that other styles may not achieve. If there are enough exam rooms, you can see other patients while the student is conducting the visit and formulating a plan.

4. Share Teaching Responsibilities

Students don't need to spend every minute of the day with you to advance their education. Preceptors, partners, staff, patients and students themselves can all be part of the teaching team. For example, students can learn different exam techniques from your partners, or phlebotomy from ancillary staff. They can also "teach themselves" by building clinical knowledge through independent research. Opportunities like these can enrich the students' experience while enabling you the flexibility you may need to work independently. Here are some additional ways to get other members of the teaching team more involved:
  • Ask nurses and medical assistants to teach students to administer injections, perform lab tests, obtain ECGs, complete blood draws, etc.
  • Ask office staff to orient students to the business side of family medicine.
  • Ask other physicians for help. If they are receptive, you might even consider rotating preceptors daily, weekly or monthly.
Here are some ways to encourage the student to be more involved:
  • Have the student teach you more about a subject you'd like to study. You could say, "I don't know much about this disease. Would you read up on it and teach me before our next clinic? Be sure to include your resources."
  • Know when to answer a student's question and when to have the student find the answer on his or her own. Encourage self-directed learning. Give students examples of what to do when they aren't with you, such as start the next visit, review a chart or look up a question.
  • Have students create or update patient information resources (e.g., standard one-pagers on common issues). Preceptors can share these student-made resources with patients and future students.

5. Keep Observation and Teaching Encounters Brief

Dividing observation and teaching into short, focused time segments helps fit precepting into a busy schedule. Observing student history-taking or exam skills in two- or three-minute segments enables you to assess ability and progress without getting behind on patient care. Teaching can be broken into short, focused interactions as well. Not everything can or should be taught all at once; concepts are often best reinforced with repetition. Students are more likely to benefit from small amounts of information linked directly to patient problems rather than large amounts on general topics. Try these tips:
  • Don't lecture on every patient visit. In fact, you may not need to lecture on any of them. When you do teach concepts, emphasize key points and avoid lengthy discussions.
  • Give feedback on individual exam skills. For example, focus only on the student's ear, nose and throat exam for one week.
  • Teach portions of a procedure over time. For example, have students provide a patient's digital block/lidocaine injection one day and remove another patient's toenail on a different day.
  • Focus on one aspect of a patient encounter. For example, for a patient who complains of shortness of breath, ask the student to focus on the HPI; for a patient who has asthma, focus on patient education; for a patient with a new rash, focus on the physical exam.

6. Broaden Student Responsibilities

Expanding students' responsibilities maximizes their educational experience and fully utilizes their skills in patient care. When you think the student is ready to do more, try these ideas:
  • Have students document their reflections after seeing a patient and summarize learning points.
  • Ask students to look up answers to patient questions. For example, during a patient visit you might say, "Mrs. Smith, I don't know the answer, so our student will look that up, and we will get back to you this week." After the student has found the answer and discussed it with you, have the student call the patient or send the answer via e-mail.
  • Review patient test results and treatment plans with the student, and then have the student call the patient to give test results and follow-up instructions. Chart or complete other paperwork next to the student during the call so that you can verify the accuracy of the message and give feedback as needed.
  • Have students facilitate ancillary services (make necessary phone calls to the lab, communicate with therapists, etc.).
  • Have students provide patient education and direct patients through the rest of the office visit while you move on to the next patient.
  • Have students help improve chart details. Students can sit with patients to review and update medication lists, preventive screening schedules, histories and problem lists. When you see the patient, you should quickly review the student's notes with the patient.
  • Give students clinical tasks such as administering questionnaires or helping with blood draws.
  • Have students assist with patient flow by rooming patients and taking vital signs.
As you expand the student's responsibilities, be sure not to repeat tasks you've entrusted him or her to do, unless billing and coding guidelines require it. In such cases, you can confirm and clarify: "Mrs. Smith, my student tells me that your headaches began about one week ago. Is this correct?"
Make sure students contribute to the top of their ability level. The more responsibility a student can take on, the more he or she can contribute to patient care. This makes the student more valuable to you and the clinic, and makes the experience more valuable to the student.

A Final Note

Some of these suggestions may not apply to every practice setting. Preceptors and practices should consider which strategies work best for them. We hope this article will supply physicians with a pearl or two that will boost their clinical productivity while doing the important work of training future family physicians.

Sidebar 1

Medicare's Rules for Student Documentation

Medicare's Claims Processing Manual has this to say about student documentation:
"Any contribution and participation of a student to the performance of a billable service (other than the review of systems and/or past family/social history which are not separately billable, but are taken as part of an E/M service) must be performed in the physical presence of a teaching physician or physical presence of a resident in a service meeting the requirements set forth in this section for teaching physician billing. Students may document services in the medical record. However, the documentation of an E/M service by a student that may be referred to by the teaching physician is limited to documentation related to the review of systems and/or past family/social history. The teaching physician may not refer to a student's documentation of physical exam findings or medical decision making in his or her personal note. If the medical student documents E/M services, the teaching physician must verify and redocument the history of present illness as well as perform and redocument the physical exam and medical decision making activities of the service."

Sidebar 2

First, make your practice a teaching environment. Altering your appointment template will help you accomplish this.

Communicate with all parties involved to help ensure success.

Tailor your teaching to the student's educational goals, needs and learning style.

Involve members of your staff and your physician colleagues in teaching the student.

Keep teaching interactions short and focused.

Expanding students' responsibilities can make them more valuable to the practice and enrich their learning experience.